Oposição quer Dilma no Congresso ou CPI só no Senado

Oposição quer ouvir explicações sobre denúncia de existência de dossiê sobre gastos do ex-presidente FHC

Eugênia Lopes, de O Estado de S. Paulo,

31 de março de 2008 | 19h50

Para driblar a maioria governista na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Cartões, a oposição decidiu atacar em outras frentes e tentar convocar a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, para depor em comissões permanentes do Senado, como a de Constituição e Justiça e a de Fiscalização e Controle. Outra hipótese é instalar uma CPI dos Cartões no Senado, onde a maioria do governo é apertada. Além disso, a oposição pedirá que a ministra seja investigada pela Procuradoria-Geral da República. Veja também:CPI terá dados que complicam ministros de Lula e FHCDocumento do TCU não sustenta versão sobre 'banco de dados' Planalto vai tirar Dilma da 'vitrine eleitoral' para 2010Dossiê contra FHC foi decisão de governoCPI dos cartões: quem ganha e quem perde?  'Candidatura de Dilma em 2010 está morta', diz analista  Os ministros caídos Entenda a crise dos cartões corporativos IMAGENS: Os momentos de 'amor e ódio' de FHC e Lula   A oposição quer ouvir da ministra explicações sobre a denúncia de existência de um dossiê sobre os gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, cuja iniciativa teria partido da Casa Civil. A secretária-executiva e braço direito de Dilma, Erenice Guerra, é suspeita de articular a produção dos papéis. "Qualquer requerimento que apresentarmos na CPI será tratorado pelos governistas", afirmou ontem o líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN), ao reconhecer que a oposição não tem chances de aprovar a convocação de Dilma. "Vamos barrar o abuso. Abuso é tentar personalizar o debate eleitoral", contrapôs o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR). "Por isso não vamos deixar que as convocações virem uma banalização, uma disputa eleitoral." Sem votos para aprovar qualquer convocação e pedido de envio de documentos com gastos da Presidência com cartões corporativos e contas tipo B (despesa justificada por nota fiscal depois de o servidor receber uma verba), a oposição resolveu também recorrer ao procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza. O DEM anunciou ontem que apresentará até o fim da semana pedido para que o Ministério Público abra processo de investigação para averiguar o suposto dossiê com gastos de verbas públicas do ex-presidente e sua família. "Queremos que o assunto seja investigado. Nosso objetivo não é quem vazou o dossiê e sim quem o preparou", afirmou Agripino. Segundo ele, a representação do DEM será apresentada com base nos artigos 325 (revelar fato de que tem ciência em razão do cargo e deva permanecer em segredo, ou facilitar-lhe a revelação) e 147 (crime de ameaça) do Código Penal, e no artigo 9 (crime de responsabilidade) da Lei de Responsabilidade Fiscal. "Quem fez o dossiê tinha por objetivo intimidar a oposição", observou. Na semana passada, o PSDB anunciou representações ao Ministério Público Federal para que investigue as denúncias. Ontem o deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP) reforçou na Procuradoria-Geral da República o pedido de investigação do dossiê, incluindo o nome de Erenice no requerimento. Convocações A presidente da CPI, senadora Marisa Serrano (PSDB-MS), marcou para hoje a votação de cerca de 50 pedidos de informação de gastos. "A princípio não vamos votar nenhum requerimento de convocação", disse. A idéia é votar primeiro os requerimentos que são consensuais. Só, então, partir para os pedidos polêmicos, que o governo já avisou que vai derrubar. "A preocupação é que a CPI não vire um barraco", afirmou Jucá. Além de Dilma, a oposição também apresentou pedido de convocação de Lurian, filha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Levantamento feito no Portal da Transparência indica que seguranças de Lurian teriam usado o cartão corporativo para gastos supérfluos. Também foram apresentados requerimentos de convocação de Erenice Guerra, apontada como a ordenadora da elaboração do dossiê, e de Maria de La Soledad Castrillo, da Secretaria de Administração e Diretoria de Logística da Presidência.  

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