LUCIO BERNARDO JR/AGENCIA CAMARA
LUCIO BERNARDO JR/AGENCIA CAMARA

Oposição quer definir estratégia conjunta para a votação da denúncia contra Temer

Partidos estão divididos sobre formar quórum ou não no Plenário; governo está confiante e quer votar denúncia logo na quarta-feira, 2 de agosto

Igor Gadelha, Isadora Peron e Renan Truffi, O Estado de S.Paulo

31 de julho de 2017 | 20h45

A um dia da votação da denúncia contra o presidente Michel Temer no plenário da Câmara, líderes de partidos da oposição vão se reunir na terça-feira para tentar traçar uma estratégia conjunta de atuação. O grupo está dividido sobre registrar presença ou não e ajudar o governo a ter o quórum mínimo. A votação só poderá ocorrer caso 342 estejam presentes no Plenário. 

Na certeza da vitória, governistas querem que a votação seja na quarta-feira para enterrar logo a denúncia. Para garantir isso, 'tropa de choque' de Temer deve reunir 172 votos. 

A estratégia de obstruir a sessão é defendida por parlamentares da Rede e do PSOL, que afirmam que postergar a decisão pode aumentar o desgaste de Temer. "Não é obrigação da oposição dar quórum para votar a denúncia. Pelo contrário, isso iria facilitar a vida do governo. Nós do PSOL somos a favor de não dar o quórum regimental", defendeu o deputado Ivan Valente (PSOL-SP).

Para o parlamentar, como novos fatos podem surgir e a pressão popular aumentar, não realizar a votação na próxima quarta é o melhor caminho para que a denúncia avance. "Nós acreditamos que podemos chegar aos 342 votos, é só uma questão de tempo", disse.

Para o deputado Alessandro Molon (Rede-RJ), quanto mais tarde for a votação, maior será a pressão sobre os deputados da base do governo. Na visão do parlamentar, a audiência das transmissões televisivas devem aumentar perto do horário nobre, o que inibiria os apoiadores do presidente. "É fundamental para a oposição que a votação se dê o mais tarde possível", afirmou.

Parte do PT, PCdoB e do PDT, no entanto, tem defendido que é melhor realizar a votação amanhã para expor os deputados da base à pressão popular e, eventualmente, em uma próxima denúncia que vier a ser apresentada pela Procuradoria-Geral da República, conseguir derrubar Temer.

O presidente é acusado de corrupção passiva no caso analisado na Câmara, mas a PGR ainda estuda apresentar até setembro pelo menos mais uma denúncia contra Temer por obstrução de Justiça e organização criminosa.

O líder do PT, deputado Carlos Zarattini (SP), rebateu as críticas de que o partido, de olho nas eleições de 2018, estaria preferindo que Temer se salvasse da denúncia para continuar fragilizado até o próximo ano, o que poderia facilitar a eleição do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado em primeira instância na Lava Jato. “Não existe essa conversa de deixar o presidente da República sangrar, porque a cada dia que passa ele prejudica mais a população brasileira, nós estamos vendo um verdadeiro desgoverno no País”, disse.

Já o deputado Sílvio Costa (PTdoB-PE), em vídeo distribuído por WhatsApp, fez um apelo para que os colegas da oposição não marquem presença na sessão. Segundo ele, neste momento, a estratégia mais inteligente para a oposição é desgastar o presidente, pois a qualquer momento a PGR pode apresentar uma nova denúncia contra o peemedebista ou nomes como o ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e o doleiro Lúcio Funaro podem fechar delação premiada, o que complicaria a situação de Temer. “Se a gente não votar a denúncia, talvez Temer tenha alguma dignidade e renuncie. Vamos tentar forçar a renúncia ou então ele vai ter que se explicar 17 meses”, disse Sílvio Costa.

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.