Oposição quer convidar ex-aliado de Yeda para depor na CPI

Governadora está reunida no Palácio Piratini com aliados para definir estratégia de defesa

Rodrigo Alvares, estadao.com.br

10 de setembro de 2009 | 16h45

Depois do anúncio feito nesta quinta-feira pelo presidente da Assembleia Legislativa, Ivar Pavan (PT-RS), pedindo o encaminhamento do impeachment da governadora Yeda Crusius (PSDB-RS), a oposição reuniu-se apesar da ausência da base governista na sessão. Os parlamentares decidiram que irão convidar pessoas que se disponham voluntariamente a depor na CPI - entre elas o ex-aliado Lair Ferst, que em depoimento ao Ministério Público Federal (MPF) disse que Yeda e membros do primeiro escalão do Palácio Piratini sabiam do esquema de corrupção montado no Detran.

 

 

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A presidente da comissão, deputada Stela Farias (PT-RS), anunciou que os documentos recebidos da juíza federal Simone Barbisan Fortes encontram-se à disposição dos deputados na secretaria da CPI. A petista leu um trecho do depoimento de Ferst, ao Ministério Público Federal (MPF). "Uso este trecho para demonstrar a gravidade dos temas que vamos tratar nesta CPI", assinalou Stela.

 

O deputado Gilmar Sossela propôs que o primeiro convidado seja Lair Ferst. A presidente da CPI adiantou que as oitivas serão realizadas, mesmo que as reuniões tenham apenas um terço dos membros. Stela Farias acrescentou que os ex-presidentes do Detran Stela Maris Simon e Sérgio Buchmann e o vice-governador Paulo Feijó também deverão ser convidados. A petista convidou ainda os membros da CPI para reunião amanhã com integrantes do Ministério Público Federal (MPF), às 14h desta sexta-feira.

 

Um dos dois deputados designados pelo governo para falar sobre o pedido de impeachment, o deputado Adílson Troca (PSDB-RS) disse, através de sua assessoria de imprensa, que "a base aliada não foi à CPI porque os deputados pedem um plano de ação e discordam da maneira como Stela Farias tem conduzido a comissão. Troca teria deixado Porto Alegre na tarde desta quinta-feira em direção a Rio Grande - sua base eleitoral.

 

Neste momento, o líder do governo na Assembleia, Pedro Westphalen (PP-RS), está em reunião com a governadora Yeda Crusius e aliados no Palácio Piratini.

 

Leia abaixo trechos do depoimento de Lair Ferst ao MPF que foram lidos pela presidnte da CPI, Stela Farias, na tarde desta quinta-feira:

 

"...Sabia (a governadora) que eu era excluído e, na verdade, eu fui enganado também por ela. Porque ela me falou uma coisa e 'tava' fazendo outra. Porque ela me disse: 'não, Lair, não te preocupa, porque isso aí é tranquilo, isso não vai acontecer nada, não vai dar e tal...' E aí, então o processo 'tava' em curso e se processou tal qual eles montaram isso. Eu sei. Porque eu fui cobrar do Chico Fraga. Cobrei do Chico Fraga isso, e o Chico Fraga me disse pra mim (sic) que levou uma planilha pra governadora. Mostrou pra governadora e quem determinou os percentuais foi ela, os valores foi (sic) ela quem determinou. E o Chico Fraga disse o seguinte: 'olha, pra ti ela não botou nada'. Mas como!? 'Tu reclama (sic) com a governadora'. Bem isso, o Chico Fraga foi claro comigo: 'te acerta com a governadora. Ela que determinou tudo. Quanto cada um ia ganhar. Enfim, ela'. O Chico entregou uma planilha pra ela e ela disse: 'Não. Esse aqui, não. Não, não. Esse aqui, pá, pá, pá...' Foi exatamente isso. Tanto o Flávio me relatou isso, quanto o Chico Fraga me relatou. O Chico disse assim: 'Oh, Lair. E não tenho nada a ver com isso. Se acerta com ela'". 

 

 

 

 

 

 

 

 

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