Oposição quer bloquear aumento de impostos pós-CPMF

Os líderes da oposição prometeramnesta quinta-feira bloquear os aumentos de impostos anunciadospelo governo e cobraram mais cortes de gastos para tornar aeconomia mais competitiva. O governo informou na quarta-feira que vai elevar impostossobre lucro de bancos e transações de crédito para gerararrecadação de cerca de 10 bilhões de reais e ajudar acompensar a perda dos 40 bilhões de reais que vinham da CPMF,derrubada no mês passado pelo Senado. Líderes da oposição dizem que o presidente Luiz Inácio Lulada Silva quebrou um acordo de dezembro, com a promessa de nãoelevar impostos. "O presidente quebrou sua promessa. Antagonizar com oCongresso é um jeito ruim de começar o ano", disse à Reuters ovice-líder do PSDB no Senado, Álvaro Dias (PR). "Se Lula quisesse combater a corrupção e o desperdício, elenão teria de aumentar impostos", completou o senador, que vaiapresentar em fevereiro um projeto de lei para anular aproposta de um imposto sobre transações de crédito. A base do governo, composta por 11 partidos, não obteve osvotos necessários no mês passado para prorrogar a CPMF. O descontentamento com a carga tributária pode gerar maisoposição no Congresso. A arrecadação do governo federal praticamente dobrou desdeque Lula assumiu o poder em janeiro de 2003. A carga tributáriaé responsável por mais de 36 por cento do Produto Interno Bruto(PIB), uma das maiores entre os mercados emergentes. "Nós queremos que o Brasil seja uma economia moderna ecompetitiva. Lula quer um Estado grande e custoso, pago pelocontribuinte", afirmou o líder da minoria, José Agripino Maia(DEM-RN). "Nós vamos lutar para derrubar a CSLL", completou ele. O corte de 20 bilhões de reais anunciado pelo governo naquarta-feira afetaria principalmente o capital de investimentonecessário para a economia crescer, disse Agripino. O governo ainda tem de obter aprovação do Congresso para oorçamento de 2008 e precisa da oposição no Senado para fazeremendas constitucionais, incluindo uma delas para elevar osgastos com saúde. "Nós ainda estamos abertos para negociar, mas se o governoquiser confronto, vai ter quando votarmos o orçamento e outrosprojetos de lei", afirmou Dias. A arrecadação maior e os cortes propostos devem ajudar ogoverno a fechar os buracos no orçamento e a oposição pode terdificuldade de protestar contra isso, afirma Emy Shayo,economista do Bear Stearns, em um relatório."Será difícil para a oposição vencer a batalha contra o aumentona CSLL para os bancos, já que os bancos não são bem vistos porcausa dos spreads cobrados em operações de crédito e por suaalta lucratividade", afirmou. (Reportagem adicional de Elzio Barreto)

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