Luis Macedo/Agência Câmara - 2/12/2020
Luis Macedo/Agência Câmara - 2/12/2020

Oposição quer apresentar candidato a bloco liderado por Maia

Para siglas como PT, PDT e PSB, presidente da Câmara perde tempo enquanto Arthur Lira, apoiado por Bolsonaro, avança 

Ricardo Galhardo, O Estado de S.Paulo

16 de dezembro de 2020 | 21h04

Diante da indefinição do grupo do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), em definir um nome para sua sucessão, setores da oposição ao governo Jair Bolsonaro (PT, PDT, PSB, PCdoB, Rede e PV) estudam a possibilidade de apresentar um candidato ao bloco liderado pelo deputado do DEM nas negociações por uma aliança. Maia disse nesta quarta-feira, 16, que seu grupo tem dois nomes, os de Baleia Rossi (MDB-SP) e Aguinaldo Ribeiro (Progressistas-SP), mas líderes da oposição avaliam que o presidente da Câmara está perdendo tempo enquanto seu adversário Arthur Lira (PP-AL), amparado em Bolsonaro, avança. O presidente do Republicanos, Marcos Pereira, que integrava o bloco de Maia, anunciou apoio a Lira.

Na terça-feira, 15, o PDT confirmou suporte ao grupo de Maia. O PT conseguiu refrear o grupo que defendia a candidatura de Lira. A bancada do partido se reuniria à noite para tomar uma decisão. Um grupo, liderado pelo deputado Rui Falcão (PT-SP), apresentou um texto que veta explicitamente o apoio a um nome ligado a Bolsonaro.

“Tornamos pública nossa posição sobre a eleição da Mesa Diretora, conclamando o conjunto dos parlamentares de oposição a marcharmos juntos. Unidos para derrotar o candidato de Bolsonaro e sua pretensão de controlar também o Congresso”, diz o texto.

Este grupo defende que a esquerda tenha um candidato próprio, mas admite a possibilidade de apoiar o bloco de Maia desde que posso apresentar um nome de oposição e que o presidente da Câmara se comprometa com alguns pontos como o respeito à proporcionalidade das bancadas na definição dos cargos na mesa diretora e comissões, uma política de vacinação universal e gratuita coordenada pelo SUS, frear retrocessos na área dos direitos democráticos, sociais e políticos propostos pelo governo, barrar a privatização de estatais chave como Petrobrás, Eletrobrás e os Correios e impedir a autonomia do Banco Central.

O partido sabe que nem todos estes pontos serão atendidos, mas avalia que Maia está cada dia mais dependente da oposição. Para reforçar seu papel dentro do bloco, os partidos de oposição querem confrontar números com o presidente da Câmara. Eles avaliam ter cerca de 130 deputados. A articulação entre os partidos de esquerda está sendo feita pelos presidentes das legendas. O PSOL, que defende candidatura própria, deve sofrer pressão para aderir.

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