Oposição protocola pedido para apurar Erenice e Cardeal

Com a mira apontada para Dilma Rousseff, um grupo de parlamentares da oposição pediu hoje à Procuradoria-Geral da República (PGR) a abertura de investigação contra dois aliados políticos e profissionais da presidenciável petista: a ex-ministra da Casa Civil Erenice Guerra e o diretor de Planejamento e Engenharia da Eletrobras, Valter Luiz Cardeal de Souza. Para a oposição, "todas as condutas criminosas possuem, em sua gênese, estrito vínculo com a candidata à Presidência Dilma Roussef".

CAROL PIRES, Agência Estado

18 de outubro de 2010 | 18h27

Foram duas representações encaminhadas ao procurador Roberto Gurgel. A primeira pede investigação sobre reportagem da revista Época intitulada "Banco Alemão envolve homem de confiança de Dilma - e ela própria - na história de uma fraude de 157 milhões de euros".

Conforme a reportagem, a Companhia de Geração Térmica de Energia Elétrica (CGTEE), de quem Cardeal é presidente do Conselho de Administração, teria sido usada como fiadora de empréstimo externo para o banco alemão Kreditanstalt für Wiederaufbau (KFW), apesar de a Lei de Responsabilidade Fiscal proibir empresas do governo de serem fiadoras de empréstimos internacionais a empresas privadas.

O outro documento entregue pela oposição à PGR é um complemento a ser anexado a uma primeira representação contra Erenice. DEM, PSDB e PPS pediram investigação sobre a prática de tráfico de influência por parte da ex-ministra e o filho dela, Israel Guerra, em contratos com o governo federal.

No adendo apresentado hoje, os partidos pedem a inclusão de novas informações contidas em reportagens da revista Veja de que uma ex-assessora de Dilma foi investigada pelo Tribunal de Contas da União (TCU) por contrato sem licitação no Ministério de Minas e Energia.

"A dinâmica das narrativas deixa claro que todas as condutas criminosas possuem, em sua gênese, estrito vínculo com a candidata à Presidência Dilma Roussef, então ministra de Minas e Energia e posteriormente ministra da Casa Civil", diz trecho das representações.

O documento é assinado pelos deputados João Almeida (PSDB-BA), Gustavo Fruet (PSDB-PR) e Paulo Bornhausen (DEM-SC) e o senador Alvaro Dias (PSDB-PR). João Almeida protocolou os pedidos na PGR acompanhado por outros sete deputados da oposição.

''Confiança''

"As evidências são de que existem balcões de negócio controlados por Erenice e agora, também, controlado no sistema elétrico, na Eletrobrás, pelo senhor Valter Cardeal. São duas pessoas da mais absoluta confiança de Dilma Rousseff, que as escolheu e que vem lhes dando proteção", afirmou João Almeida, líder do PSDB na Câmara dos Deputados. O líder tucano observou que Cardeal foi citado na Operação Navalha, mas foi mantido na Eletrobrás apesar de o Ministério Público (MP) ter pedido o afastamento dele do governo.

Almeida criticou ainda a declaração de Dilma, em debate com José Serra (PSDB), na Rede TV!, ontem, quando se disse "indignada" com a situação de Erenice. "Não concordo com a contratação de parentes e de amigos. Eu tenho um compromisso em combater o nepotismo e o tráfico de influência", afirmou. "É uma indignação tardia, porque são pessoas que ela mesma escolheu", comentou o tucano.

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