Oposição protocola CPI exclusiva do Senado nesta terça

Líder do DEM diz que iniciativa é legítima defesa, já que governo não negocia cargos de comando

Eugênia Lopes, de O Estado de S.Paulo

19 de fevereiro de 2008 | 18h18

Na tentativa de pressionar o governo e ficar com a presidência da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) Mista que vai investigar o mau uso dos cartões corporativos, os líderes de partidos de oposição no Senado protocolaram ontem um novo pedido de criação de CPI, só com senadores, sobre o mesmo assunto. Os oposicionistas esperam, dessa forma, que o governo ceda e concorde em lhes dar o comando da CPI Mista.Nesta quarta, o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), reúne-se com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para tratar da reivindicação da oposição. Veja Também:Entenda a crise dos cartões corporativos  Jucá estuda propor que PSDB presida CPI dos Cartões CPI será instalada nesta quarta, diz Garibaldi Alves STF nega liminar para quebrar sigilo de cartões da Presidência  "Vou relatar os fatos ao presidente Lula e defender o meu ponto de vista que é favorável a que a oposição fique com um dos cargos de comando", disse Jucá. "Se o presidente concordar, o Palácio vai ter de agir junto ao PMDB para que ele abra mão de presidir a CPI", completou o líder do governo. O PMDB já indicou o senador Neuto de Conto (SC) para presidência da CPI Mista. "Demos um instrumento para o líder Jucá ir ao presidente Lula e conversar com ele. Assim se o governo não concordar em dar o lugar para a oposição na CPI Mista, nós faremos a CPI só do Senado, onde vamos indicar o presidente", afirmou o líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN).  A oposição tinha guardado, desde a semana passada, o requerimento para a criação de uma CPI formada exclusivamente por senadores. Na sexta-feira, o pedido de abertura de comissão de inquérito contava com sete assinaturas. Ontem, quando foi protocolado no final da tarde, já tinha 33 assinaturas de senadores. O requerimento prevê que as investigações sobre o uso de cartões corporativos comecem em 2001, ano em que o cartão foi regulamentado. A CPI terá prazo de funcionamento de 180 dias (seis meses) e contará com 11 senadores titulares e seis suplentes. O presidente do Senado, senador Garibaldi Alves (PMDB-RN), deverá ler o requerimento da CPI restrita ao Senado na tarde desta quarta.  Antes, na sessão do Congresso, Garibaldi fará a leitura do requerimento para a criação de CPI formada por deputados e senadores para investigar os cartões corporativos nos últimos dez anos, abrangendo as contas "tipo B" usadas no governo Fernando Henrique Cardoso. Na manhã de ontem, Garibaldi anunciou que há condições legais para a instalação de uma CPI do Senado ao mesmo tempo de uma comissão de inquérito mista para tratar do mesmo assunto. Mas condenou o funcionamento de duas comissões simultaneamente. "É inconveniente", disse.  'Legítima defesa' Agripino afirmou que a iniciativa da oposição era uma ação de "legítima defesa". Segundo ele, o que se quer é uma investigação isenta.  "Não podemos participar de uma auto-investigação", disse o parlamentar. Momentos antes do anúncio, o líder do governo no Senado afirmara que estava tentando construir "uma parceria" com o PMDB que permitisse ceder ao PSDB a presidência da CPI mista.  "Ninguém está questionando que a vaga é do PMDB. Apenas estou tentando sensibilizar a bancada para, ao invés de um conflito, termos a colaboração de todos numa investigação", afirmou Jucá. Texto atualizado às 19h50 (Com Agência Brasil)

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