Oposição promete pompa ao oficializar CPI da corrupção

O governo começa mal a semana em que os partidos de oposição prometem oficializar, com pompa, na Mesa Diretora do Congresso, o apoio de mais de 171 deputados e 27 senadores para instalar CPI da corrupção. Por mais que os líderes do governo e dos partidos aliados neguem, a oposição não tem dúvidas: "As denúncias de corrupção contra o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, dão impulso à CPI porque envolvem o primeiro escalão do governo, fortalecendo a idéia da necessidade de uma ampla investigação", disse um parlamenar oposicionista.O líder do governo na Câmara, Arnaldo Madeira (PSDB-SP), porém, insiste que a CPI ainda não é um fato consumado. Ele garante que, apesar das dificuldades, o Palácio do Planalto não está montando uma operação especial contra a CPI esta semana, mas trabalha firme em duas frentes. Além da operação para retirar assinaturas de aliados no requerimento que pede a abertura do inquérito, os governistas tentam convencer quem ficou de fora de que a CPI ampla só terá serventia para as legendas de oposição, que a transformão no palanque da corrida presidencial de 2002. Mas o líder do PT na Câmara, Walter Pinheiro (BA), está convencido de que as novas denúncias são o ingrediente que faltava para dificultar a operação do governo e consumar a CPI.Na avaliação de um auxiliar do presidente Fernando Henrique Cardoso, as novas denúncias são lamentáveis, sobretudo porque o debate da CPI pode superar os limites do Congresso, chegando ao Planalto. "Isso só dá discurso para a oposição", reconheceu. Em conversas com assessores neste domingo, o presidente insistia em combater a CPI para investigar corrupção com o argumento de que a Câmara havia aberto inquérito para investigar o Fundo de Investimentos do Nordeste (Finor) e a Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), sem ter chegado à conclusão alguma e nem aplicado punição a quem quer que seja.Além disso, lembrou Fernando Henrique, o problema de Bezerra "passou batido" nas investigações que a CPI do Finor fez. Para reforçar a tese de que CPI é inconveniente e inútil, o presidente afirmou ainda que, no que se refere a irregularidades na Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam), várias prisões foram efetuadas e o caso está adiantado na Justiça, sem que, para isso, tivesse sido aberta uma CPI.O líder do PPS no Senado, Paulo Hartung (ES), lembra que elogiou a iniciativa do governo de extinguir a Sudene e a Sudam, substituindo as estruturas velhas e viciadas por outra mais eficiente. "Mas é extremamente grave que o coordenador desta reformulação da Sudene seja um ministro envolvido em acusações de corrupção justamente na Sudene", diz o senador.O pior é que, como a extinção das duas instituições foi anunciada em grande estilo por Fernando Henrique, como parte da operação do Planalto para esvaziar uma CPI da corrupção, até os governistas concluem que as denúncias contra o ministro transformam um fato positivo para o governo, em negativo.Diante deste quadro, Pinheiro aposta que a instalação da CPI é irreversível porque o governo não conseguirá mais retirar as assinaturas dadas. "Todos os deputados foram consultados antes de terem os nomes divulgados e ainda temos uma folga, além dos 12 nomes que ainda nem revelamos", afirma. Pinheiro está convencido de que as denúncias contra Bezerra complicam ainda mais a vida do governo porque, a seu ver, não podem ser apuradas pela Corregedoria-Geral da República, uma vez que a corregedora e o ministro estão no mesmo nível hierárquico, o que reforça a CPI."A CPI é uma bola de neve, que cresce com cada denúncia mais grave do que a outra", completa o deputado José Genoíno (PT-SP). O corregedor do Senado, Romeu Tuma (PFL-SP), não aderiu à CPI mas cobra a apuração das denúncias de corrupção contra Bezerra, independente da abertura de inquérito. "A Polícia Federal (PF) e o Ministério Público (MP) tem de aprofundar as investigações", disse.

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