Oposição promete esmiuçar CPI após acordo de blindagem

Parlamentares dizem que vão pesquisar a fundo documentos da comissão que investiga a Petrobrás, envolvendo políticos

FÁBIO BRANDT , ISADORA PERON / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

08 de novembro de 2014 | 02h05

Depois do mal-estar causado pelo "acordão" entre governistas e oposicionistas para blindar as principais legendas na CPI mista da Petrobrás, a oposição ensaia colocar em prática um plano para minimizar os prejuízos políticos causados pela divulgação do acerto. A ideia, dizem, é não deixar a sensação de que a investigação terminará sem resultados concretos.

Apesar de todos os partidos negarem ter participado do entendimento, os oposicionistas começaram a articular uma retomada na ofensiva da comissão.

Na próxima semana, parlamentares do PSDB, PSB e PPS prometem vasculhar os documentos que já chegaram à CPI atrás de novas informações. O deputado Júlio Delgado (PSB-MG) afirma ter combinado esse esforço com os colegas Rubens Bueno (PPS-PR) e Izalci Lucas (PSDB-DF). O mineiro explica que, por causa da campanha, ainda não havia sido possível dedicar mais atenção aos papéis.

O "acordão" irritou o senador e presidente do PSDB, Aécio Neves (MG), que divulgou uma nota para desautorizar a articulação. O principal argumento da oposição para não tentar convocar os petistas citados nas delações foi o de que a comissão ainda não obteve o direito de acessar documentos importantes da Operação Lava Jato, como os depoimentos das delações premiadas do ex-diretor Paulo Roberto Costa e do doleiro Alberto Youssef.

Na avaliação do deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP), vai ser difícil avançar no caso sem ter acesso aos documentos. "Eu vou ouvir a Gleisi e ela vai dizer que é mentira o que está publicado nos jornais. Ou seja, não vai adiantar nada", disse.

Ele argumenta, no entanto, que é "fato notório" que os partidos de oposição estejam trabalhando para que a investigação continue, uma vez que já começaram a coletar assinaturas para abrir uma nova CPI no ano que vem e dar continuidade às apurações.

Na quarta-feira, integrantes da CPI foram ao Supremo Tribunal Federal para reiterar o pedido de acesso aos documentos da Operação Lava Jato. O ministro Luís Roberto Barroso - que relata o mandado de segurança impetrado pelos parlamentares - sinalizou que a decisão sobre o caso deve ser tomada na próxima semana.

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