Wilton Júnior/Estadão
Wilton Júnior/Estadão

Oposição pretende obstruir sessão da Assembleia do Rio

Deputado do PSOL afirma que suspeitas da operação contra conselheiros do TCE já eram conhecidas entre parlamentares, mas que parlamento agia como se 'nada estivesse acontecendo'

Clarissa Thomé, O Estado de S.Paulo

29 Março 2017 | 12h18

RIO - Deputados de oposição ao governo do Estado do Rio de Janeiro pretendem obstruir a sessão desta quarta-feira, 29, na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), caso ela não seja suspensa. Agentes da Polícia Federal e procuradores federais chegaram no início desta manhã à sede da Alerj. Funcionários tiveram acesso liberado ao prédio, cercado por grades desde o ano passado por causa das manifestações contra o ajuste fiscal, mas a imprensa foi impedida de entrar no edifício. O Movimento Unificado dos Servidores Públicos Estaduais (Muspe) convocou uma manifestação em frente à Alerj para comemorar a operação. 

“As investigações chegarem aqui na Alerj já eram esperadas, assim como chegaram no Tribunal de Contas, porque já havia um conselheiro fazendo delações. Mas quando ela chega, gera sempre um impacto, até porque o que tem tentado se construir aqui é como se nada estivesse acontecendo. Tentam levar como normalidade”, declarou o deputado estadual Flavio Serafini (PSOL-RJ), a jornalistas.

O deputado lembrou a devolução ao Estado na semana passada de R$ 250 milhões recuperados de investigações e esquemas de corrupção durante o governo de Sérgio Cabral, quando o atual governador Luiz Fernando Pezão era vice-governador e secretário de Obras. “E agora ele começa querendo abrir uma CPI contra a Universidade do Estado do Rio de Janeiro, começa fazendo uma série de estardalhaços, querendo reduzir direitos previdenciários, sem que a gente tenha clareza de quais são os elementos que estão combinados para que a gente enfrente essa crise”, disse Serafini.

Segundo Serafini, o Estado tem de continuar funcionando, mas não é possível avançar em retirada de direitos, reestruturações e grandes medidas “com um governo e um conjunto de uma classe política cada vez mais carecendo de legitimidade”.

“A crise de legitimidade não é pessoal do governador, é de um projeto político do qual o Sérgio Cabral era a principal liderança. Jorge Picciani, Pezão, Eduardo Cunha, todos eles faziam parte desse projeto político. Essa crise de legitimidade é uma crise geral. Enquanto a gente não avaliar o pedido de impeachment do governador Pezão, enquanto as investigações sobre esses outros atores políticos não forem concluídas, a gente não tem condições de aceitar que nenhuma mudança estrutural seja feita no Estado do Rio de Janeiro, sem que a gente tenha novas eleições e uma representação legítima, tanto na Assembleia Legislativa quanto no governo do Estado”, defendeu Serafini.

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