Oposição pressiona governo no plenário para instalar CPI

Líder do PT no Senado diz que só haverá quórum quando governistas tiverem relatoria da CPI das ONGs de volta

Agência Estado,

02 de junho de 2009 | 15h16

Um grupo de quatro senadores da oposição protestava no início da tarde desta terça-feira, 2, no plenário do Senado pedindo para o governo instalar imediatamente a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigará a Petrobras. Pouco antes, a sessão inicial da CPI, que elegeria o presidente da comissão e começaria os trabalhos de investigação, foi adiada por falta de quórum. "Quem tem que garantir o quórum é a base governista. Não há outra coisa a fazer se não instalar a CPI ainda hoje", disse o senador José Agripino (DEM-RN).

 

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Agripino admitiu que não conversou com ninguém do governo para tentar uma negociação sobre a CPI, mas reafirmou que pressionará pela instalação da comissão ainda nesta terça. O senador Antônio Carlos Magalhães Júnior (DEM-BA) faz parte desse grupo de parlamentares que protestava no plenário. "Queremos a instalação imediatamente", disse. Além de Agripino e ACM Júnior, também integram a comitiva o presidente do PSDB, Sérgio Guerra (PE), e o senador Alvaro Dias (PSDB-PR).

 

Agripino pediu a palavra no plenário do Senado, exigindo que a base governista manifeste-se em relação ao horário de início da CPI que investigará a Petrobras. "Queremos uma manifestação da liderança sobre a hora da CPI. Não sobre o dia, que é hoje, mas a hora", afirmou.

 

De acordo com ele, os três membros da oposição na CPI estão disponíveis para iniciar os trabalhos a qualquer momento (os demais oito integrantes da comissão são da base aliada). Virgílio fez a afirmação logo após pronunciamento da senadora Ideli Salvatti (PT-SC) a respeito de resultados de pesquisas de opinião pública sobre a eleição presidencial do próximo ano.

 

"Queria lembrar que a eleição será só em outubro de 2010 e que este tema pode ser adiado. Mas as investigações sobre a Petrobras, não", afirmou Agripino. De acordo com ele, Ideli deveria estar garantindo o quórum da CPI, em vez de tratar de números relativos à eleição do próximo ano no plenário.

 

Em seguida, o senador Sérgio Guerra (PSDB-PE) também tomou a palavra. "Há todo um mito sobre a questão da CPI", disse. "Não há porque o governo temer investigação sobre a Petrobras", continuou.

 

ONGs

 

O líder do PT no Senado, Aloizio Mercadante (SP), disse nesta terça que a base do governo no Senado só vai dar quórum para a instalação CPI da Petrobras, depois que a oposição devolver aos governistas a relatoria da CPI das ONGs. A relatoria dessa CPI estava a cargo do senador Inácio Arruda (PCdoB-CE) que teve de abrir mão da titularidade para assumir uma cadeira na comissão da Petrobrás.

 

O presidente da comissão, Heráclito Fortes (DEM-PI) nomeou então um membro da oposição, o líder do PSDB no Senado Arthur Virgílio (AM) para o cargo. Virgílio já declarou que pretende fazer dessa outra CPI um segundo instrumento de investigação da estatal. Mercadante disse que encaminhou questão de ordem para esclarecer se a oposição pode ocupar a relatoria da das ONGs. Somente depois disso resolvido é que o governo dará quórum na CPI da Petrobras.

 

Segundo os comentários nos bastidores do Congresso, porém, o adiamento da instalação da CPI da Petrobras no Senado está mais relacionado ao fato de que o PT e o PMDB, ou melhor dizendo, Mercadante e o líder do PMDB, Renan Calheiros (AL), ainda não chegaram a um acordo para definir os cargos de comando da CPI.

 

O principal foco de divergência seria o fato de Renan resistir à indicação do líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), para a relatoria da CPI. Mercadante, por sua vez, defenderia a indicação de Jucá.

 

Na avaliação de uma fonte do Senado, o argumento usado pelo PT de que não vai dar quórum como retaliação pela perda da relatoria da CPI das ONGs foi apenas uma versão oficial para não tornar pública as divergências entre os governistas.

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