Ed Ferreira/Estadão
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Oposição pressiona Cardozo em audiência na Câmara

Parlamentares tucanos retomaram o discurso de vitimização motivado pelo vazamento das investigações; ministro defenedeu procedimento e criticou a divulgação das informações

Débora Álvares e Daiene Cardoso , O Estado de S. Paulo

04 Dezembro 2013 | 19h37

Brasília - A audiência pública na Câmara dos Deputados para ouvir o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, sobre as denúncias de cartel no metrô de São Paulo e do Distrito Federal virou palco para lamentações de tucanos citados no escândalo e acusações ao ministro. Embora alguns petistas tenham comparecido à reunião num esforço de manter o tom mais ameno, os tucanos retomaram o discurso de vitimização motivado pelo vazamento das investigações.

Apesar dos ataques, Cardozo manteve a mesma versão já detalhada na terça, no Senado, quando explicou os procedimentos adotados quando recebeu as denúncias das mãos do deputado estadual Simão Pedro (PT-SP). Voltando a criticar os vazamentos, Cardozo sugeriu aos tucanos que peçam na Justiça o levantamento do sigilo. "Se isso for dado, me comprometo a trazer esse processo junto com o delegado do caso, já que várias partes do inquérito vazaram".

Logo após se solidarizar com os tucanos que lamentaram os vazamentos, o ministro lembrou que está processando o secretário de Energia de São Paulo, José Aníbal (PSDB-SP), por injúria. Aníbal se licenciou do cargo por dois dias para reassumir seu mandato como deputado federal apenas para participar da audiência e assumir o embate com Cardozo. Aníbal foi citado nos documentos encaminhados por Cardozo à PF como sendo muito próximo de um dos lobistas do cartel.

Aníbal disse a Cardozo tem agido de forma não democrática e acusou o deputado Simão Pedro, que entregou os documentos de autoria do ex-diretor da Siemens Everton Rheinheimer ao ministro da Justiça, de ser o autor das denúncias. "Quero dizer quem acho que é o autor: é o deputado Simão Pedro. Ele consolidou isso aqui, inclusive com uma relação promíscua que ele deve ter com o Everton (Rheinheimer, ex-diretor da Siemens)", afirmou Aníbal. Ele disse ter "nojo" da forma como a denúncia foi vazada.

O deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP) acusou Cardozo de se manifestar sobre assuntos que não são de sua competência, e tomar partido de assuntos partidários. "Vossa excelência não usa da estatura que tem. Agiu contrariamente a tudo o que sempre defendeu. Valeu-se do cargo, levou adiante a denúncia que recebeu em maio, mas olha que coincidência, foi vazada na semana da prisão de José Dirceu", ironizou o deputado que completou: "O seu proceder no episódio Siemens envergonha o cargo que Vossa Excelência ocupa."

Cardozo voltou a ser acusado de politizar as investigações, mas destacou novamente não achar "correto que se utilize como objeto político algo que deve ser alvo de investigação".

O ministro da Justiça compareceu voluntariamente à audiência pública conjunta das Comissões de Segurança Pública e Fiscalização e Controle da Câmara dos Deputados, antecipando-se a convites de vários deputados, a maioria deles tucanos.

 

 

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