Oposição prepara relatório paralelo na CPI dos Grampos

Diante dos sinais de que a base governista pretende produzir um relatório "neutro", sem indiciamentos ou constrangimentos para integrantes da Polícia Federal (PF) e da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), a oposição prepara um relatório paralelo na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Grampos, na Câmara. O aviso foi enviado hoje ao relator, deputado Nelson Pellegrino (PT-BA). Os oposicionistas afirmam haver indícios de que vários crimes teriam sido cometidos. Principal defensor do relatório paralelo, o deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR), mencionou falso testemunho, improbidade, prevaricação, condescendência criminosa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade. "Há elementos para pedirmos indiciamentos. Vamos preparar voto em separado caso o relator não apresente esses pedidos. Se não houver esse gesto da comissão, será a diminuição da CPI. A comissão precisa fazer seu gesto político", disse.Para ele, o crime de falso testemunho foi cometido por "praticamente todos" os que depuseram na CPI. "A começar do Paulo Lacerda (diretor afastado Abin), as pessoas mentiram", afirmou. Para o deputado Vanderlei Macris (PSDB-SP), a CPI não pode encerrar os trabalhos sem sugerir indiciamento dos principais envolvidos em supostas escutas telefônicas clandestinas, realizadas durante a Operação Satiagraha. A operação da PF culminou com a prisão temporária do banqueiro Daniel Dantas, do ex-prefeito da capital paulista Celso Pitta e do investidor Naji Nahas, entre outros.

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