Oposição prepara relatório paralelo na CPI dos Grampos

Medida é contra sinais de que a base governista pretende produzir um relatório 'neutro', sem indiciamentos

Ana Paula Scinocca, de O Estado de S.Paulo

12 de novembro de 2008 | 19h07

Diante dos sinais de que a base governista pretende produzir um relatório "neutro", sem indiciamentos ou constrangimentos para integrantes da Polícia Federal e da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), a oposição prepara um relatório paralelo na CPI dos Grampos, na Câmara. O aviso foi enviado ao relator, deputado Nelson Pellegrino (PT-BA).   Veja também: Presidente da CPI dos Grampos quer prorrogar trabalhos Especial explica a Operação Satiagraha Multimídia: As prisões de Daniel Dantas Daniel Dantas, pivô da maior disputa societária do Brasil   Os oposicionistas afirmam haver indícios de que vários crimes teriam sido cometidos. Principal defensor do relatório paralelo, o deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR), mencionou falso testemunho, improbidade, prevaricação, condescendência criminosa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade.   "Há elementos para pedirmos indiciamentos. Vamos preparar voto em separado caso o relator não apresente esses pedidos. Se não houver esse gesto da comissão, será a diminuição da CPI. A comissão precisa fazer seu gesto político", disse o tucano.   Para ele, o crime de falso testemunho foi cometido por "praticamente todos" os que depuseram na CPI. "A começar do Paulo Lacerda (diretor afastado Abin), as pessoas mentiram", disse.   Para o deputado Wanderlei Marcris (PSDB-SP), a CPI não pode encerrar os trabalhos sem sugerir indiciamento dos principais envolvidos em supostas escutas telefônicas clandestinas, realizadas durante a Satiagraha. A operação da PF culminou com a prisão temporária do banqueiro Daniel Dantas, do ex-prefeito Celso Pitta e do investidor Naji Nahas, entre outros.   Os deputados do PSDB pediram um levantamento técnico de todos os depoimentos prestados à comissão para definir os nomes. O Estado apurou que o pedido de indiciamento de Lacerda é dado como certo. "Indiciamento ainda não é o julgamento. Os últimos fatos mostram que não há como a CPI fugir disso", afirmou o deputado.   O presidente da CPI, deputado Marcelo Itagiba (PMDB-RJ), disse ser favorável ao indiciamento de todos os que "faltaram com a verdade" nos depoimentos à comissão. O presidente da CPI argumenta que Lacerda, em seu depoimento à comissão, disse que apenas "duas ou três pessoas" da Abin haviam participado da Operação Satiagraha, da Polícia Federal. Mas posteriormente a comissão descobriu que mais de 20 agentes da agência auxiliaram a PF nas investigações da operação.   Na terça-feira, o relator da CPI disse não haver definido ainda se vai ou não pedir algum indiciamento em seu relatório final. "Não firmei minha convicção", disse Pellegrino. Sobre a defesa da oposição em pedir o indiciamento de Lacerda, o petista afirmou que o diretor afastado da Abin "tem relevantes serviços prestados ao País, o que significa a necessidade de precaução". E prosseguiu: "Ninguém está acima da lei, mas vou me posicionar com base nas provas da CPI. Pode ser que o senso comum seja um, mas que não haja prova". Pellegrino, porém, admitiu que em relação a Lacerda só existem duas hipóteses: "Ou ele não revelou toda a verdade para proteger a instituição e não prejudicar as investigações ou ele mentiu."

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