Oposição prepara ''''operação-padrão''''

Senadores afirmam que vão boicotar reuniões presididas por Renan e votações de interesse do governo

Cida Fontes e Christiane Samarco, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

07 de setembro de 2014 | 00h00

Reunido ontem, um grupo de dez senadores de seis partidos - inclusive da base aliada, como PSB e PDT - decidiu não dar trégua ao presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). A ofensiva começa na próxima terça-feira em duas frentes, ambas visando a boicotar e enfraquecer Renan, forçando sua saída do cargo. No plano político, será adotada uma "pauta seletiva mínima", como definiu o presidente do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), o que significa votar apenas os projetos de interesse da população, não os do governo. Isso pode dificultar a vida do Planalto, que tem uma maioria frágil no Senado. A decisão dos senadores de oposição e dissidentes da base aliada, que se reuniram no gabinete de Tasso, é de não aprovar créditos suplementares do Executivo e analisar, caso a caso, projetos e medidas provisórias. Os senadores vão boicotar também eventuais reuniões formais presididas por Renan. Enquanto o Conselho de Ética não julgar os outros dois processos e a representação existentes contra Renan, eles não participarão nem de reuniões do colégio de líderes, caso sejam convocados para a definição de prioridades na pauta de votações.O líder do PSDB na Casa, Arthur Virgílio (AM), disse que haverá uma espécie de "operação-padrão", com definição semanal daquilo que será votado. "Vamos ser rigorosos e reforçar as atitudes para moralizar e dar transparência ao Senado", emendou Tasso. Além de senadores do PSDB, DEM e PSOL, integram o grupo suprapartidário Patrícia Saboya (PSB-CE), Jarbas Vasconcellos (PMDB-PE) e Cristovam Buarque (PDT-DF).INSUSTENTÁVEL"Renan não tem condições de continuar presidente do Senado enquanto responde a processos no Conselho de Ética", opinou o líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN), que denominou o grupo suprapartidário de "senadores alinhados com a ética". "Estamos demarcando o nosso território", afirmou o líder.Ficou acertado que o grupo vai exigir urgência na indicação dos relatores para os novos processos contra Renan. Na terça-feira, a primeira das outras denúncias em andamento - todas elas também pedem a cassação por quebra de decoro parlamentar - começa a ser discutida no conselho.Delas, apenas uma tem relator - o senador João Pedro (PT-AM). De acordo com essa denúncia, Renan interveio para anular uma dívida de R$ 100 milhões da Schincariol com a Previdência, após a empresa ter comprado uma pequena cervejaria de sua família em Alagoas, à beira da falência, por valor acima do real. Tanto a Schincariol como o presidente do Senado negam irregularidades.Há ainda denúncias relatando a existência de uma suposta sociedade secreta do senador alagoano com o usineiro João Lyra na compra de veículos de comunicação em seu Estado. De acordo com a acusação feita por Lyra, Renan teria usado laranjas na operação.A denúncia mais recente está baseada em declarações do advogado Bruno Lins, que acusou Renan de ser beneficiário de esquema de corrupção em ministérios controlados pelo PMDB.

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