Oposição pode ouvir 'o que não quer' de Dilma, diz Lula

Presidente defende ida de Dilma ao Senado e nega dossiê FHC; ministra foi convocada para falar do PAC

Tânia Monteiro, enviada especial de O Estado de S. Paulo,

11 de abril de 2008 | 10h07

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta sexta-feira, 11, que a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, deve ir à Comissão de Infra-Estrutura do Senado, na próxima semana, para responder sobre obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), mesmo sob o risco de ser constrangida a responder perguntas sobre o dossiê com gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que teria sido "vazado" da Casa Civil. Lula aproveitou a ocasião para fazer mais elogios à ministra.  Veja também: Lula diz que terceiro mandato é falta de assunto da oposiçãoVazamento de dossiê contra FHC abre guerra dentro da Casa CivilDossiê FHC: o que dizem governo e oposiçãoPF pede a governo dados sobre segurança da Casa CivilPF abre inquérito para apurar vazamento de dados de FHCDossiê com dados do ex-presidente FHC  Entenda a crise dos cartões corporativos  Quando um repórter perguntou ao presidente por que a ministra está forte, Lula disse que Dilma é uma ministra "extremamente importante" e uma "coordenadora excepcional". "É a mulher que faz o PAC acontecer 24 horas por dia e por isso que eu disse que ela é a mãe do PAC", acrescentou. "Não sei qual o incômodo que as pessoas podem ter com a Dilma. A Dilma não só está forte... aliás, eu sempre digo que não tem ministro forte nenhum no governo de regime presidencialista. A Dilma exerce uma função primordial ao governo como coordenadora da administração, das execuções dos projetos do governo e faz isso com uma competência que eu diria que poucas pessoas seriam capazes de fazer", afirmou. O presidente disse que a oposição não está amordaçada. Mas afirmou: "A lógica é que quem pergunta o que quer ouve o que não quer". Ele reafirmou que desconhece a existência de um dossiê. "O que estávamos e estamos fazendo é um banco de dados que ficará pronto em alguns dias, com todas as informações (de gastos) de todas as pessoas que acharmos necessário", afirmou.  Sobre a investigação em torno do vazamento das informações, Lula disse que quer saber quem foi o responsável. "Se alguém que não sei quem, roubou documento oficial de um banco de dados e resolveu dar para um jornal, um jornalista, uma revista, como se fosse uma coisa fantástica, uma novidade para merecer manchete, nós queremos descobrir quem roubou, sim", afirmou.  "Alguém tentar roubar um documento e vender como novidade, como se descobrissem a mina do rei Salomão, acho pequeno, acho isso pobre. Obviamente por isso que queremos descobrir quem roubou, porque é muito grave alguém roubar um documento de dentro do Palácio do Planalto. É muito grave. Queremos descobrir quem é que anda roubando documentos. E quem quiser transformar banco de dados em dossiê que transforme. Eu continuarei a fazer banco de dados na Casa Civil".

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