Oposição pode apressar renúncia de Jader

O senador Jader Barbalho (PMDB-PA) deverá ser investigado pelo Conselho de Ética do Senado por conta das novas denúncias que o envolvem em atos irregulares praticados durante o seu mandato. Jader poderá ser acusado de quebra de decoro parlamentar por ter mentido ao fazer sua defesa da tribuna do Senado das acusações de corrupção, resultando na abertura de processo de cassação. Os líderes do PPS, senador Paulo Hartung (ES), e do PT, senadora Heloísa Helena (AL), vão entrar nesta segunda-feira com nova denúncia contra Jader à Mesa do Senado, com base em acusações publicadas pela imprensa neste final de semana, o que poderá agravar sua situação e abreviar a renúncia."São denúncias graves e o Conselho de Ética terá de investigar", afirmou Hartung. "Sendo atestada a veracidade das provas, constitui a materialidade de conduta violadora ao Código de ética e decoro parlamentar e a única medida disciplinar, estabelecida na Constituição, é a cassação do mandato", destacou Heloísa Helena. Por iniciativa do PMDB, os partidos aliados estavam trabalhando para que a situação fosse investigada apenas pelo Ministério Público, sem a participação do Conselho, depois que ele resolveu se afastar da presidência do Senado por 60 dias.O argumento dos governistas, inclusive utilizado na carta de licença de Jader, era que todas as acusações datavam de épocas anteriores ao seu mandato parlamentar e, por isso, não poderiam ser examinadas pelo colegiado. No entanto, diante das novas denúncias, a oposição e até partidários de Jader admitem que o presidente do Conselho, Gilberto Mestrinho (PMDB-AM), será obrigado a abrir as investigações.Na denúncia ao Conselho de Ética, já apresentada na semana passada, os líderes de oposição vão fazer um adendo incluindo a nova acusação de suposto envolvimento de Jader, em 1998, na cobrança de propina para liberação de verbas da Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam). Segundo uma gravação divulgada pela revista "Isto É", o deputado estadual Mário Frota (PDT-AM), coordenador da Sudam em 98, cobra, em nome de Jader, o pagamento de US$ 5 milhões para liberação de US$ 40 milhões de incentivos fiscais.Além desse episódio, Jader vem sendo acusado também de mentir a seus colegas. Tanto os oposicionistas quanto os governistas estão apostando que o senador terá de renunciar ao mandato, caso o Conselho de Ética comprove que ele entrou em contradição e mentiu, no dia 16 de abril deste ano, em discurso da tribuna do Senado. Na época, o ex-presidente do Senado garantiu que sua sociedade com José Osmar Borges, um dos suspeitos de fraudar recursos da Sudam, teria sido pública, constando de suas declarações de renda. O negócio, no entanto, não foi declarado segundo informações divulgadas pela imprensa.

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