Oposição pedirá investigação de convites da Petrobrás a ministros para Fórmula 1

Como revelou o 'Estado', parentes de titulares das pastas, além do genro de Dilma Roussef, foram de graça ao camarote VIP do GP de Interlagos

MURILO RODRIGUES ALVES, Agência Estado

28 de março de 2014 | 16h44

Brasília - A oposição vai pedir que a Comissão de Ética da Presidência da República abra um processo para apurar a conduta dos ministros que receberam da Petrobrás convites para acompanhar o GP de Fórmula 1, em novembro do ano passado, em um camarote VIP da empresa, que serviria para aumentar o relacionamento com grandes clientes corporativos.

O Estado revelou nesta sexta-feira, 28, que a estatal entregou as credenciais que dão direito à vista privilegiada da pista do Autódromo de Interlagos, além de acesso aos boxes das escuderias, hospedagem em hotel cinco estrelas e buffet de bebidas e comidas durante o GP para ministros e parentes.

Entre os beneficiários estão o genro da presidente Dilma Rousseff, Rafael Covolo; dois filhos do ministro da Fazenda, Guido Mantega; e a irmã, o cunhado e a sobrinha da ministra do Planejamento, Miriam Belchior, além de parlamentares da base aliada e seus familiares.

"Isso não pode acontecer de forma alguma. A Petrobrás é uma empresa de economia mista, mas o principal acionista é a União. Queremos acabar com o deslumbramento do PT em usar a estrutura do governo como coisa particular do partido. A maior empresa do País é de interesse público", afirmou Rubens Bueno (PR), líder do PPS.

Ele afirmou ainda que a oposição também vai fazer um requerimento de informação ao ministro de Energia, Edison Lobão, sobre quais pessoas foram beneficiadas com esse tipo de cortesia nos eventos patrocinados pela Petrobrás, incluindo a Fórmula 1, desde 2003.

Autoridades públicas podem aceitar convites para assistir a shows artísticos ou evento esportivo sem ônus, desde que seja por razão institucional - quando o exercício da função recomendar a presença - ou quando o convite não ultrapassar o limite de R$ 100, de acordo com o Código de Conduta da Alta Administração Federal. Estima-se que o custo unitário dos convites oferecidos pela Petrobrás chegue a R$ 12 mil - o ingresso mais caro vendido ao público no GP do ano passado, com benefícios semelhantes, valia R$ 11.200.

Rubens Bueno disse que a conduta da presidente tem que ser investigada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Rafael Covolo, genro da presidente, compareceu ao GP em 2013, a convite da Petrobrás, desacompanhado de Paula Rousseff. Em nota ao Estado, a presidente informou que não sabia do convite.

"Se tivesse sido (consultada), teria dito para ele não comparecer. Isso porque, embora não exista irregularidade, não vale o incômodo." Covolo trabalha no escritório de advocacia do ex-marido de Dilma, Carlos Araújo, com atuação voltada para a área trabalhista.

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