Oposição pede proteção policial para Silvio Pereira

Os líderes dos partidos oposicionistas traçaram nesta terça-feira estratégias de atuação em reação às declarações do ex-secretário-geral do PT, Silvio Pereira, que afirmou que o empresário Marcos Valério pretendia arrecadar, em licitações fraudulentas e contratos manipulados, R$ 1 bilhão para o caixa dois petista.O deputado Jutahy Junior (PSDB-BA) disse que três decisões foram tomadas. A primeira é pedido de proteção policial a Silvio Pereira. A segunda é uma moção de solidariedade à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que vai pedir ao Ministério Público que aprofunde as investigações contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O pedido de impeachment de Lula, no entanto, foi derrubado na sessão de desta segunda-feira da OAB.O terceiro ponto foi que as oposições, segundo Jutahy, concluíram que as declarações de Sílvio Pereira mostram, conforme o deputado, que há um esquema maior de desvio de dinheiro que o apurado pela CPI dos Correios e que no PT todos sabiam. Jutahy disse ainda que verificou-se claramente que o empresário Marcos Valério tinha duas opções: ou derrubava a República ou se matava. Ele acabou encontrando um meio termo, disse o deputado. "Isso só confirma o que o procurador (o procurador geral da República, Antonio Fernando de Souza ) falou: que foi montada uma organização criminosa para pilhar o governo."Participam do encontro PFL, PSDB, PDT, PV, PPS e PSOL.Veja a carta escrita pelos líderes da oposição:"Ao povo brasileiro"Os partidos de oposição reunidos para avaliar o novo momento nacional, após a entrevista do ex-secretário do PT Sílvio Pereira, resolvem:"a) Expressar seu apoio à decisão da Ordem dos Advogados do Brasil em apresentar uma notícia-crime contra o presidente da República, responsável pelo governo, portanto, na condição de réu, não podendo ignorar o amplo esquema de corrupção nele montado;"b) Considerar que a entrevista do ex-secretário da executiva nacional do PT acrescenta fatos novos e graves ao processo de investigação e deve portanto ser analisada e complementada com nova presença na CPI;"c) A oposição, ouvindo os apelos do sr. Silvio Pereira, expressos na entrevista, conclama o governo a definir claramente um esquema permanente de proteção à sua vida para que possa depor de novo e esclarecer os pontos ainda obscuros no processo de corrupção;"d) A oposição unida rejeita toda a possibilidade de artifícios legais para impedir que Sílvio Pereira revele o que sabe e comunica que, caso sejam insatisfatórios os dados revelados, pode evoluir para uma nova CPI, no Senado Federal, uma vez que os graves acontecimentos envolvendo o governo são objeto de investigações que pode transcender à própria legislatura que se encerra em janeiro de 2007.e) Considerando que parcela expressiva da Câmara dos Deputados tem sido leniente com os acusados no caso do mensalão e que o processo de investigação é fundamental para a história moderna do País, depois da nova audiência de Sílvio Pereira, os partidos de oposição pretendem se unir à sociedade numa comissão única, de parlamentares, juristas e cidadã(os) de várias origens, com o objetivo de criar um Comitê da Cidadania, destinado a avançar nas investigações e legar, não somente uma versão correta dos fatos, mas todos os documentos que possam ser examinados pelas novas gerações de brasileiros.Senador Tasso Jereissati, presidente nacional do PSDBSenador Jorge Bornhausen, presidente nacional do PFLSenador Osmar Dias, representando o presidente nacional do PDTJosé Luiz Penna, presidente nacional do PVDeputado Roberto Freire, presidente nacional do PPS"Este texto foi modificado às 19h25 para acréscimo de informações

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