Oposição pede inquérito contra 4 ministros sobre dossiê FHC

Ação foi protocolada na procuradoria após o fim da CPI dos Cartões, que não indiciou ninguém e poupou Dilma

Eugênia Lopes, de O Estado de S. Paulo,

05 de junho de 2008 | 19h52

Cinco horas depois de encerrada a  CPI dos Cartões Corporativos, três partidos de oposição - PSDB, DEM, PPS - protocolaram nesta quinta-feira, 5, ação na Procuradoria Geral da República pedindo a abertura de inquérito policial contra quatro ministros, um ex-ministro e cinco funcionários do Palácio do Planalto, supostamente envolvidos com a montagem de dossiê com gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e sua família.   Veja também: Como previsto, CPI não indicia ninguém e poupa Dilma Veja o dossiê com dados do ex-presidente FHC  Entenda a crise dos cartões corporativos  Teste seus conhecimentos: quem diz o que sobre o dossiê    "Estamos pedindo o indiciamento dessas pessoas e explicando ao Ministério Público como foi a participação de cada uma na confecção do dossiê", disse o deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP). Na representação, a oposição solicita a investigação e eventual indiciamento de quatro ministros: Dilma Rousseff (Casa Civil), Jorge Hage (Controladoria Geral da União), Tarso Genro (Justiça), e Paulo Bernardo (Planejamento).   Os oposicionistas também pedem a investigação de cinco funcionários do Palácio do Planalto e da ex-ministra Matilde Ribeiro (Igualdade Racial), que deixou o governo com o escândalo dos cartões corporativos. A oposição quer a apuração da participação na montagem do dossiê de quatro funcionários da Casa Civil: da secretária Executiva, Erenice Guerra, braço-direito da ministra Dilma; do secretário de Administração, Norberto Temóteo Queiroz; da diretora de Recursos Logísticos, Maria de la Soledad Bajo Castillo; e do assessor da diretoria de Orçamento e Finanças, Gilton Saback Maltez.   Na quarta-feira 28, a mesma oposição apresentou seu sub-relatório onde não pedia o indiciamento de ninguém e responsabilizava apenas o ex-secretário de Controle Interno da Casa Civil da Presidência da República José Aparecido Nunes Pires pela confecção e vazamento do conteúdo do dossiê sobre gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso com cartões corporativos.   Nesta quinta, porém, na representação protocolada na Procuradoria, a oposição defendeu investigações mais detalhadas sobre o ex-secretário de Controle Interno da Casa Civil. Foi José Aparecido, único indiciado pela Polícia Federal até agora, que enviou o dossiê contra FHC para André Fernandes, assessor do senador Álvaro Dias (PSDB-PR).   Na ação, a oposição avaliou que o ministro Jorge Hage "demonstrou ter conhecimento do conteúdo do dossiê" contra FHC quando, em depoimento à CPI dos Cartões Corporativos, em 19 de março, referiu-se a despesas do governo passado. Para a oposição, o ministro Tarso Genro "prevaricou" quando não determinou à Polícia Federal a instalação imediata de inquérito para apurar a confecção do dossiê contra FHC.

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