Oposição pede convocação de caseiro para depor em CPI

Os senadores Romeu Tuma (PFL-SP) e Álvaro Dias (PSDB-PR) pediram nesta terça-feira a convocação do caseiro Francenildo Santos Costa para depor na CPI dos Bingos. Em entrevista exclusiva ao Estado, ele desmentiu as declarações do ministroda Fazenda. Antonio Palocci, sobre seu relacionamento com a República de Ribeirão. O caseiro, conhecido como Nildo, contou ao Estado que a mansão no Lago Sul - alugada por Vladimir Poletto, ex-assessor da prefeitura de Ribeirão - era usada para partilha de dinheiro e que Palocci era freqüentador assíduo do imóvel, onde todos o chamavam de ?chefe?. O grupo formado pelos ex-assessores de Palocci quando comandou a prefeitura de Ribeirão Preto é conhecido como República de Ribeirão.Eles afirmam que o caseiro reforçou o depoimento do motorista Francisco das Chagas Costa que disse à CPI, na semana passada, que Palocci freqüentava a mansão alugada no Lago Sul de Brasília, onde ocorria partilha de dinheiro e festas.Para Álvaro Dias, o caseiro ofereceu na entrevista "elementos contundentes sobre a operacionalização do esquema da República de Ribeirão Preto em Brasília". Desse modo, sua convocação à CPI é importante para tirar dúvidas sobre a participação do ministro neste esquema, já que além de Rogério Buratti e do motorista Francisco das Chagas, Francenildo seria a terceira pessoa, a testemunhar sobre a participação de Palocci.Tuma apresentou também requerimento, afirmando, porém, ser necessário buscar a "materialidade" do seu depoimento. "Tudo aquilo que pode trazer uma dúvida é grave", disse o senador, que também pediu a presença da esposa do caseiro à CPI. Situação delicadaPara o relator da CPI dos Bingos, senador Garibaldi Alves (PMDB-RN), a situação do ministro da Fazenda é delicada. Ele e Tuma, no entanto, foram cautelosos, preferindo não tecer comentários sobre o futuro do ministro na CPI. Até o momento, a oposição não apresentou requerimento pedindo um novo depoimento do ministro e os senadores preferem não falar agora em acareação nem quebra de sigilo de suas contas, depois da entrevista do caseiro.O relator disse que ainda não há provas materiais contra o ministro. "Estamos apurando se o ministro realmente mentiu, mas não temos provas materiais e precisamos apurar mais para chegar à verdade", disse Garibaldi. Ele negou a versão de que a CPI teria cancelado sua reunião, prevista para esta terça-feira, por conta das denúncias do caseiro ao Estado. Garibaldi recorreu à prudência também ao ser perguntado se irá pedir um novo depoimento de Palocci à CPI ou solicitar ao Ministério Público que ele seja investigado. "Tudo deve ser mais apurado para não haver precipitação", repetiu o relator.Sobre a situação do ministro no cargo, os Garibaldi e Tuma disseram que o eventual afastamento do titular da pasta da Fazenda é um assunto que compete exclusivamente ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

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