Oposição pede anulação de decreto que favorece a Geap

Os protestos da oposição contra a iniciativa da Casa Civil de assegurar à Geap o monopólio dos serviços de saúde para os servidores federais em Brasília e nos Estado não se restringirão unicamente aos discursos. O vice-líder do PSDB, deputado Alberto Goldman (SP), disse ontem que o partido vai apresentar um projeto de decreto legislativo contendo a anulação do decreto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva que trata da operação. "Isso tudo é muito grave, é assustador", reagiu. "O que estamos vendo é uma operação para atender ao PT e seus filiados", disse. Já o primeiro-secretário da Câmara, deputado Geddel Vieira Lima (PMDB-BA), encaminhará amanhã um requerimento ao governo pedindo explicações sobre a iniciativa da Casa Civil de favorecer uma entidade privada. "Precisamos saber o que é que está por trás disso", justificou. "A princípio, me parece uma coisa grave. É mais uma coisa nebulosa nessa série de coisas nebulosas que estão surgindo contra o governo". Geddel acredita que já é hora de o presidente Lula se manifestar sobre esta e outras denúncias que atingem seu governo. O deputado alega que ninguém sabe qual é a posição do presidente com relação à CPI criada no Senado. "O País deve ficar atento e cabe à oposição se empenhar na vigilância porque agora o que estamos vendo é uma suspeita atrás de outra", alegou. O presidente do PPS, deputado Roberto Freire (PE), acredita que o fato mostra o erro do governo de atribuir à Casa Civil o poder de atuar como grande centro diretor da política do governo petista. "O que é que a Casa civil tem a ver com o problema de saúde e ministérios?", questiona. Para o líder do PDT no Senado, Jefferson Péres (AM), são tantos os fatos suspeitos ocorridos nos primeiros 14 meses do governo, que só mesmo uma CPI teria poderes de investigar todos eles. "É uma coisa atrás da outra, parece que há dois movimentos em marcha: o de arrecadar dinheiro para o caixa de campanha e o de aparelhar o Estados com pessoas do PT", acusou. O líder do PFL, José Agripino (RN), disse que o volume de denúncias relacionadas ao governo é tanto que torna cada vez necessária uma investigação parlamentar. "O PT estava com a canga solta", ironizou. "Achava que estava protegido pela blindagem de guardião da ética, mas está nu, está sendo desmoralizado".O líder pedetista disse que, daqui para frente, o governo tem de se acostumar com a idéia de que nenhuma suspeita ou denúncia passarão impunes pela oposição. "Isso de politizar o serviço público, com certeza não será bom para o País", previu. Goldman também questionou os termos usados pelo subchefe de Coordenação da Ação Governamental, Luiz Alberto dos Santos, de dizer que o comando da Geap foi entregue a uma petista - Regina Ribeiro Parizi, candidata derrotada na última eleição a deputada estadual de São Paulo - porque "é uma garantia, pelo menos, de que se trata de alguém que vai responder aos critérios de idoneidade, seriedade e competência". "Daqui a pouco o governo vai incluir na Lei de Licitação a exigência de filiação ao partido", afirmou.

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