Oposição no Senado quer CPI para investigar Ágora

A oposição no Senado pediu a demissão dos funcionários do governo supostamente envolvidos com a denúncia de fraude fiscal na organização não-governamental Ágora, fundada por integrantes do PT, e defenderam a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as denúncias. "Este governo não escapa de uma faxina que estirpe de uma vez por todas a corrupção em que estão envolvidos", disse o líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM). O tucano anunciou a intenção de requerer a presença, na Comissão de Fiscalização e Controle, do secretário-executivo da Casa Civil, Swedenberger Barbosa, além de Mauro Dutra, o amigo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A oposição é minoria na comissão, e a apresentação do requerimento não implica a sua aprovação. O líder do PFL, José Agripino (RN), argumentou que o caso é diferente das outras denúncias "porque envolve pessoas do alto escalão do governo", disse ele, ressalvando não ter suspeita sobre o presidente Lula.Nem o líder do governo, Aloizio Mercadante (PT-SP), demonstrou empenho na defesa da ONG. Embora tenha salientado que a entidade é muito respeitada e recebeu um prêmio de Direitos Humanos em 1998 do então presidente Fernando Henrique Cardoso, ele defendeu ampla investigação do caso e a punição dos responsáveis. "No mínimo, tem uma fraude fiscal, é preciso apurar rigorosamente e punir os culpados", disse o líder, que estende o mesmo critério ao caso das fraudes nas licitações de produtos hemoderivados, no Ministério da Saúde. Segundo Mercadante, a ordem do governo é "investigar tudo, e quem estiver envolvido tem que pagar de forma exemplar, neste e em qualquer outro caso de corrupção".O líder rechaçou as críticas da oposição de que o ministro da Saúde, Humberto Costa, teria responsabilidade na indicação de Cláudio Gomes da Silva, assessor de confiança do ministro, afinal preso como integrante da quadrilha que fraudava as licitações de hemoderivados. Sobre a afirmação de Agripino de que, no governo anterior, demitiu ministros mesmo em caso de denúncias não comprovadas, Mercadante reagiu. "Essa regra vale para este ministro que está contribuindo com o combate à corrupção ou para o anterior, em que a quadrilha atuava impunemente?", questionou o líder, numa referência velada ao ex-ministro da Saúde, José Serra, candidato a prefeito de São Paulo pelo PSDB.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.