Oposição no Senado critica ?escalada autoritária? do governo

A oposição no Senado criticou hoje a "escalada autoritária" do governo. O líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM) afirmou que "nenhum regime autoritário se impõe de uma vez" e disse estar citando uma afirmação do senador Cristóvam Buarque (PT-SP). O PFL também divulgou nota de sua Comissão Executiva Nacional condenando as iniciativas do governo e acusando-as de cercear a liberdade de expressão. Virgílio deu exemplos do que considera o avanço de uma escalada autoritária citando as medidas divulgadas hoje pela imprensa como a intenção do governo de proibir que funcionários de dar informações sobre investigações em curso. "É a mordaça dos funcionários", ironizou. Ele citou ainda a minuta de decreto que está em estudo pelo governo sobre a ampliação do acesso às informações de sigilo fiscal e bancário quebrados pela Justiça. Virgílio afirma ainda que fazem parte desta escalada a defesa do projeto da chamada Lei da Mordaça, que impede os integrantes do Ministério Público de darem informações sobre investigações, assim como os dois projetos já enviados ao Congresso: o que cria o Conselho Federal de Jornalismo (CFJ) e o que institui a Agência Nacional de Audiovisual (Ancinav). A líder do PT no Senado, Ideli Salvatti (SC), minimizou a importância das acusações. Na sua avaliação, a oposição está apenas usando as armas políticas que restam para criticar o governo, dentro da disputa eleitoral. Ao fazer o seu pronunciamento no plenário, chegou a citar o deputado Antônio Delfim Netto (PP-SP), que teria dito que a oposição perdeu o rumo diante do sucesso do governo na retomada do crescimento econômico. Segundo a senadora, não se justifica a acusação de uma escalada autoritária na apresentação do projeto de lei que institui o Conselho Federal de Jornalismo (CFJ) ou do que cria a Agência Nacional de Cinema e Audiovisual (Ancinav). ?O conselho dos jornalistas é uma reivindicação antiga da categoria e o projeto é da Federação Nacional de Jornalistas (Fenaj)?, afirmou. Quanto ao projeto da chamada Lei da Mordaça, que impediria procuradores do Ministério Público darem informações à imprensa sobre investigações em curso, Ideli lembrou que este projeto é de iniciativa do governo anterior. A líder petista evitou, no entanto, comentar as duas minutas de decretos do governo para ampliar o acesso aos dados de sigilo bancário e fiscal quebrados e para impedir que funcionários públicos dêem informação à imprensa sobre investigações em curso. ?Não vou falar sobre intenções do governo?, disse.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.