Oposição nega acordo para poupar mandato

Segundo líderes, decisão ajudará a desanuviar tensão, mas risco de Renan ser cassado existe, garantem

Cida Fontes e Christiane Samarco, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

12 de outubro de 2007 | 00h00

Mesmo considerando que a decisão veio tarde, os principais líderes da oposição foram unânimes em dizer que o pedido de licença de Renan Calheiros (PMDB-AL) ajudará a retomar a normalidade do Senado, aliviando o clima de tensão que já dura cinco meses. Eles negam, no entanto, ter participado de algum acordo com o peemedebista para livrá-lo da cassação quando os processos por quebra de decoro parlamentar forem julgados em plenário. Mas o roteiro da operação de salvamento de Renan foi, de fato, apresentado à oposição. Na noite de quarta-feira, o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), conversou com líderes do PSDB e do DEM para sondar sobre a possibilidade de Renan se licenciar ou renunciar à presidência, uma segunda proposta que teria maior aceitação entre os partidos de oposição. "Não tenho dúvidas de que a grande maioria prefere não cassar Renan", disse a líder do PT no Senado, Ideli Salvatti (SC). "Todos querem vê-lo fora da presidência, mas o sentimento da maioria do plenário, e não do PT ou do governo apenas, é de dar um jeito para se livrar dele, e não de cassá-lo", emendou Ideli, ontem, poucas horas antes da licença. O senador José Agripino (DEM-RN) negou qualquer acordo com Jucá, afirmando que a licença estava cogitada. Para ele, a saída de Renan pelo prazo de 45 dias é resultado de um entendimento entre o parlamentar e o Planalto, para facilitar a aprovação de projetos como a prorrogação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) até 2011. "A licença é um pacto entre Renan e o Planalto. Não temos compromisso com este desfecho e a decisão não gera nenhum compromisso do partido com Renan."Segundo Agripino, a licença de Renan vai estabelecer um clima de paz no Senado e ajuda a destravar o processo legislativo. Ele lembrou que esta semana não houve sequer a ordem do dia na Casa. Em relação à CPMF, disse que a emenda tramitará obedecendo aos prazos regimentais.SANGRIA"De nossa parte, não haverá acordo para que ele escape. O que queremos é a aplicação da lei", disse o senador Demóstenes Torres (DEM-GO), que teria sido alvo de Renan numa operação frustrada de arapongagem. Em troca da licença, segundo o líder do DEM, o senador alagoano terá apenas o apoio dos votos de governistas nos processos que estão tramitando no Conselho de Ética e serão levados ao plenário."Foi uma decisão tardia", completou o líder do PSDB, senador Arthur Virgílio (AM). "Espero que sirva para desanuviar o clima tenso", disse o tucano, acrescentando que o partido vai examinar o mérito dos processos "entendendo, sim, que houve quebra de decoro". Para ele, "a sangria a que estava submetido o Senado assumia contornos dramáticos". FRASEJosé Agripino (RN)Líder do DEM"A licença é um pacto entre Renan e o Planalto. Não temos compromisso com este desfecho e a decisão não gera nenhum compromisso do partido com Renan"

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