Oposição não tem assinaturas para criar CPI

Líder do PDT na Assembleia disse que sem fato novo partido é contra investigação

Elder Ogliari, O Estadao de S.Paulo

14 de maio de 2009 | 00h00

A criação de uma CPI na Assembleia Legislativa para investigar suspeitas contra o governo do Rio Grande do Sul esbarrou na posição do PDT. A bancada optou por não assinar o requerimento. Sem pelo menos parte dos seis deputados do partido, PT e PC do B não terão como conseguir as 19 adesões necessárias para a aprovar a proposta. A Casa tem 55 deputados."Por enquanto não há nenhum fato concreto que justifique a CPI", disse o líder da bancada do PDT, Adroaldo Loureiro, que não considerou como provas reportagem da revista Veja nem denúncias do PSOL sobre o uso de caixa dois na campanha da governadora Yeda Crusius (PSDB), em 2006. Ele alegou que as gravações citadas, que comprovariam as irregularidades, não estão disponíveis para serem comprovadas.O partido poderá mudar de posição se, nas consultas que fizer ao Ministério Público Federal, ao Ministério Público Estadual e à Polícia Federal nos próximos dias, ficar convencido de que há investigações em andamento com provas de irregularidades. O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil no Rio Grande do Sul, Cláudio Lamachia, já percorreu esse caminho nesta semana e foi informado de que não há investigação envolvendo a governadora. Segundo o PSOL, as gravações estão com a Justiça Federal de Santa Maria, que não fala no assunto, mas nega que o partido tenha tido acesso aos autos do processo contra os envolvidos na fraude do Detran.A bancada do PSB, que havia demonstrado apoio à criação da CPI, também colocou o pé no freio. Quer um fato novo, como um desmentido cabal para as denúncias, feito pelo governo estadual, para não assinar. Caso a explicação não saia, os dois deputados vão se somar aos nove do PT e a um do PC do B que já assinaram o requerimento.A dificuldade encontrada pela oposição aliviou os defensores do governo na Assembleia. "O dia decisivo era ontem (terça)", destacou o líder da bancada do PSDB, Adilson Troca. "A mobilização do PT criou um fato na mídia, mas os outros partidos perceberam que não havia denúncia comprovada para abrir uma CPI."Apesar da posição oficial da bancada do PDT, a deputada petista Stela Farias diz contar com pelo menos quatro adesões do partido. No PMDB, o líder Luiz Fernando Zachia disse a postura de não apoiar a CPI era "conhecida por todos" e que não está vinculada a possíveis alianças do partido para 2010.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.