Oposição não pode dar 'canelada' fora do gramado, diz Lula

Presidente volta a comparar política com futebol e diz que, para ele, governador não tem partido

TÂNIA MONTEIRO, Agencia Estado

16 de abril de 2008 | 12h26

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a usar metáforas do futebol para destacar a necessidade de se separar a disputa política do interesse da coletividade, tônica do seu discurso de improviso na inauguração, nesta manhã, do metrô da Ceilândia, cidade-satélite de Brasília. "Imaginem que num jogo Botafogo e Fluminense, se os jogadores levassem para a vida cotidiana a guerra que fazem no campo, com um dando canelada no outro, um chutando a cara do outro... Terminou o jogo, terminou, eles são seres humanos civilizados, vão conviver juntos", relatou o presidente.  Enfatizou que as disputas políticas devem ocorrer apenas no processo eleitoral. "Em outros tempos, nem o presidente da República viria aqui e nem o governador convidaria o presidente", assinalou, destacando que independentemente do governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, pertencer ao oposicionista DEM, o governo federal continuará liberando recursos para Brasília. Anunciou que além dos R$ 30 milhões aplicados pelo governo federal nas estações da Ceilândia, serão destinados mais de R$ 60 milhões para recuperar a BR-450 e mais de R$ 70 milhões para BR-020, rodovias que cortam o Distrito Federal. Garantiu que até 2010 estarão funcionando todas as 28 estações previstas do metrô de Brasília, ampliando a meta de transportar 100 mil passageiros diários para 300 mil.  Lula  fez questão de destacar, durante todo o tempo, que independente de partido político, o importante é que os governos trabalhem juntos. Lula se referia ao governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, que é do DEM, partido de oposição ao seu governo. "Durante décadas e mais décadas a politicalha, os interesses menores, os interesses pessoais de determinados políticos fizeram com que o povo padecesse. Eu vou repetir. Eu me dou bem com governador do PMDB, do PT, do PSB, do ex-PFL . Para mim não tem governador de partido. Tem governador que tem compromisso de governo", afirmou Lula. "As nossas disputas políticas se darão durante o processo eleitoral", acrescentou o presidente, ao salientar que não é possível que a "pequenez política" impeça alguém, por ser de outro partido político, de ser convidado para uma cerimônia como essa. "O que está acontecendo aqui é outro jeito de fazer política e respeitar aqueles que são a razão pela qual fazemos política" disse o presidente lembrando que em outros tempos o presidente não compareceria. "Não é pelo fato de você não pertencer ao meu partido ou à minha base aliada, e eu quero dizer isso na frente de todos, não haverá nada que possa permitir que haja um milímetro de divergência entre eu e você, que impeça a gente de fazer o que tem que ser feito nesta cidade", disse Lula, dirigindo-se ao governador. O presidente voltou a afirmar que o Brasil está vivendo um momento histórico, com a economia crescendo, o desemprego desaparecendo e o Nordeste melhorando. "E se a gente tiver juízo e responsabilidade e fazer a coisa certa, o povo só tem a ganhar", ressaltou. "Quando um presidente e um governador brigam, quem perde é o povo. Quando os dois tem juízo e governam juntos, quem ganha é o povo", acrescentou. Lula elogiou o fato de Arruda citar o governo que o antecedeu, do PMDB, por ter iniciado essa obra. Ele lembrou que o partido do governador e o PSDB fazem a maior oposição ao seu governo,mas disse que quando olha para Brasília não vê democratas, nem tucanos. " Tem a hora da disputa e a hora de governar; e o nosso compromisso é de governar. Independente de pendengas políticas nós não arredaremos o pé de fazer aquilo que for preciso e que durante tantos anos não se fez por mesquinhez política", assegurou. Dossiê O presidente não quis responder sobre as especulações de que a Polícia Federal já teria identificado a existência do dossiê, no Palácio do Planalto, com os gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Ao ser questionado sobre notícias nesse sentido, Lula demonstrou contrariedade, fechou a cara e fez sinal com a cabeça de que não falaria com a imprensa. O presidente participou da cerimônia de inauguração de quatro estações do Metrô, em Ceilândia, cidade satélite de Brasília. Ele foi para a Ceilândia de Metrô, saindo da estação central, na Rodoviária de Brasília. O trecho inclui quatro quilômetros e meio de extensão, e deve atender mais 40 mil pessoas.

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