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Oposição marca prazo para decidir se pede uma CPI

Líderes dizem que decisão será tomada até quinta-feira

Carlos Marchi, O Estadao de S.Paulo

04 de fevereiro de 2008 | 00h00

A oposição começa a decidir amanhã, em Brasília, se pedirá uma comissão parlamentar mista de inquérito (CPI) para investigar a farra dos cartões corporativos do governo federal. Até quinta-feira a decisão estará tomada, garante o líder do PSDB na Câmara, Antonio Carlos Pannunzio (SP), que vai procurar o DEM tão logo chegue a Brasília, amanhã, para convencê-los a aceitar a CPI. O líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN), disse ontem ao Estado que quer priorizar a CPI das ONGs, mas, acima de tudo, pretende garantir uma oposição alinhada e eficaz.Nos últimos dias, o DEM vem resistindo à pressão do PSDB para requerer a CPI dos Cartões Corporativos. A resistência, que tinha seu maior foco em Agripino, começou a arrefecer com a revelação de que um segurança da filha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva aderiu à farra das compras com os cartões governamentais. "Em vez de começar o ano com o déficit de explicar o aumento da carga tributária, o governo começa o ano tendo de voltar a explicar a corrupção", disse Agripino.CHEGANDO PERTODe Buenos Aires, onde descansa no carnaval, o senador potiguar reconheceu que a farra dos cartões corporativos está crescendo. "Já está chegando à família do presidente", disse, em referência a compras suspeitas feitas por João Roberto Fernandes Júnior, segurança de Lurian, filha do presidente. Antes de viajar Agripino combinou com o senador Arthur Virgílio (AM), líder do PSDB, que a oposição terá uma postura alinhada "no rumo da eficácia".Mais que as compras suspeitas, a Secretaria de Imprensa do Palácio do Planalto teve o dom de irritar toda a oposição, ao se negar a explicar temas "relacionados à segurança do presidente e sua família". "Isso é um acinte, um absurdo", reagiu o presidente do PPS, ex-deputado Roberto Freire, que garantiu o alinhamento do seu partido com a decisão a ser tomada pela oposição. "Isso extrapola tudo", concordou Agripino.Pannunzio assegurou que a idéia de requerer a CPI dos Cartões Corporativos "não é contra a família do presidente, contra Lula ou seu governo". Afirmou que a oposição não é contrária ao uso dos cartões corporativos, que foram criados no governo Fernando Henrique. "Bem usado, o cartão é positivo. A CPI é para apurar quem agiu certo e quem agiu errado. Quem agiu corretamente não tem o que temer."ACERTAR O PASSOA oposição ainda tem muito o que conversar para acertar o passo. Para garantir a CPI mista, é preciso recolher 171 assinaturas de deputados e 27 de senadores. Pannunzio acha que a comissão tem de ser mista porque a idéia nasceu na Câmara, onde a oposição conta com apenas 132 deputados. Uma CPI do Senado, no entanto, estaria garantida a priori, pois os oposicionistas são 29, além dos rebeldes costumeiros que sempre votam contra o governo.O líder tucano insiste em que não há riscos e que será possível arrebanhar muitas assinaturas na legião imprecisa de deputados que, segundo ele, estão no bloco governista, mas "são atentos à ética". Agripino simplifica: "Se a oposição optar por requerer a CPI dos Cartões, não haverá problemas com assinaturas. Se não conseguirmos as 171 na Câmara, fazemos a CPI no Senado."Agripino prefere dar prioridade à CPI das ONGs, que vem sendo abafada, segundo ele, pela ampla maioria governista. O fato de a CPI das ONGs ter começado sem a cobertura constante da imprensa, de acordo com ele, ajudou o bloco governista a derrubar a convocação de depoentes. "Se a imprensa for lá, vai começar a criar constrangimentos para gente preocupada com a ética, como (Eduardo) Suplicy ou (Renato) Casagrande", disse.

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