Oposição lidera ´rebelião´ contra Renan e deixa plenário

PSDB e DEM acusam presidente do Senado de protelar as investigações contra ele

12 de julho de 2007 | 19h12

O cerco se fecha ainda mais sobre Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado e alvo de processo por quebra de decoro no Conselho de Ética. Nesta quinta-feira, 12, a oposição - senadores do DEM e do PSDB - abandonaram o plenário em protesto contra a decisão de Renan de adiar a análise do pedido de encaminhamento de nova perícia para a Polícia Federal de seus documentos de defesa. Eles acusam o senador de protelar as investigações. A decisão de paralisar os trabalhos legislativos enquanto Renan continuar na presidência foi anunciada pelo presidente do partido, Tasso Jereissati (CE). Logo em seguida, o líder do partido no Senado, Artur Virgílio (AM), foi à tribuna esclarecer que a decisão foi tomada apenas para a sessão desta quinta-feira. "O partido não vai fugir de suas responsabilidades para votar o que for necessário", disse. "Da tribuna é que vamos dizer o que a Nação precisa ouvir", completou. Tasso explicou que a atitude do partido foi gerada após o anúncio, pelo primeiro vice-presidente do Senado, Tião Viana (PT-AC), de que Renan convocou para as 11 horas da próxima terça-feira, véspera do recesso parlamentar, uma reunião da Mesa Diretora para decidir sobre o pedido que o Conselho de Ética fez à Polícia Federal para que aprofundasse as investigações contra o presidente do Senado. A convocação da reunião para a véspera do recesso poderia levar ao adiamento da decisão por falta de quórum."Essa é uma atitude clara de protelação dos trabalhos de investigação", disse Jereissati. "Ele diretamente, como presidente, tomou uma posição que prejudica as investigações. Não tem condições de presidir o Senado".O PSDB, acompanhado do partido Democratas, PSOL e dos senadores Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) e Cristovam Buarque (PDT-DF) abandonaram o plenário também em protesto contra a decisão de Renan. Esses partidos e alguns parlamentares decidem ainda nesta quinta uma posição unificada contra o presidente do Senado. O senador Demóstenes Torres (DEM-GO), que participará da reunião, disse que "nós vamos decidir como agiremos, em conjunto, os partidos de oposição e algumas pessoas da situação, para que possamos organizar uma forma de resistência para que a investigação prossiga". O senador Jarbas Vasconcelos afirmou que "da mesma forma como o presidente se sente em condições de continuar presidente a Casa, a oposição sente-se no direito de não votar mais nada na Casa". (Com Agência Brasil)

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