Oposição insiste na abertura da "CPI do Silvinho"

Inconformados com uma série de perguntas que o ex-dirigente petista deixou sem resposta e com as contradições de Sílvio Pereira, os principais líderes da oposição insistiram na abertura de uma CPI específica para apurar o esquema ilegal de arrecadação de recursos para o PT, que chamaram de "CPI do Silvinho". O que mais irritou a oposição foi a afirmação de Sílvio Pereira de que a entrevista ao jornal O Globo era verdadeira, mas que não sabia dizer quando ele mesmo mentiu e quando falou a verdade. "Não posso dizer o que é fantasia, o que é coisa da minha cabeça. Pode ser que eu tenha dito a verdade, pode ser que não", despistou Pereira.Segundo o líder do PFL no Senado, Agripino Maia (PE), o fato determinante da nova investigação seriam as declarações de Pereira sobre ações do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza para obter vantagens para bancos e empresas usando a influência que tinha no governo federal. "O senhor diz que o esquema continua. Estou tendente a propor que se instale o prosseguimento da apuração desses fatos", prosseguiu Agripino. O senador considerou o depoimento de Pereira "absolutamente frustrante", porque o ex-secretário-geral do PT "protegeu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva" durante as mais de seis horas de depoimento e não quis repetir os detalhes sobre o esquema do valerioduto. O senador do PFL disse que o ideal seria uma acareação entre Pereira e Marcos Valério. "Da maneira como ele descreveu, Marcos Valério era o presidente do País. Precisamos fazer um gesto político para que as coisas aconteçam", insistiu o líder.Está marcada para esta quinta-feira uma reunião dos partidos de oposição para decidir como agir depois do depoimento de Pereira. O tema será discutido por dirigentes do PSDB, PFL, PDT, PPS e PV."Vai ser difícil fugir de uma nova investigação. Ele esclareceu muito pouco. Ele pensa que está nos levando no bico, mas não está", disse o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM). O líder tucano disse estar "dando mais valor ao que ele não esclareceu", por, segundo Virgílio, dar pistas do que deve ser investigado daqui para frente.Depois de se negar a assinar o termo de compromisso de dizer a verdade, Sílvio Pereira recorreu ao direito de ficar em silêncio em vários momentos, especialmente quando o tema eram contratos de prestação de serviços para a Petrobras. O ex-dirigente afastou-se do partido quando foi descoberto pela CPI dos Correios que ele recebeu de presente um jipe Land Rover da empresa GDK, contratada da estatal de petróleo. Na entrevista ao Globo, Pereira disse que "não tinha como negar" a oferta da empresa. O ex-dirigente também não quis falar sobre a atuação do lobista Fernando Moura, amigo do ex-ministro José Dirceu, na Petrobras.Em outros momentos, Pereira dizia não lembrar exatamente o que tinha dito na entrevista, irritando os parlamentares. Isso se repetiu nos vários momentos em que foi indagado sobre a revelação de que Marcos Valério ofereceu três opções ao PT, uma delas a de revelar tudo, o que, segundo Pereira disse na entrevista, "faria cair a República". O ex-petista confirmou ter feito referência a esta ameaça do empresário, mas disse não lembrar se ele mesmo tinha ouvido ou se tinha ouvido de uma terceira pessoa.O presidente da CPI, Efraim Morais (PFL-PB) considerou "positivo" o fato de Pereira ter dito que a entrevista era verdadeira, embora não soubesse distingüir o que falou de verdade e o que era "ficção, fantasia". "Ele confirmou que a entrevista é verdadeira e mentiu quando disse que não tinha lido, porque depois sentiu falta de um trecho que tinha falado e não estava na reportagem", afirmou Efraim.

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