Oposição inicia coleta de assinaturas para criar 'CPI da Rosemary'

Senador Alvaro Dias reiterou dificuldades em conduzir comissão contra maioria de senadores aliados do governo

Rosa Costa, Agência Estado

04 de dezembro de 2012 | 17h41

BRASÍLIA - As bancadas do PSDB e do DEM iniciam nesta terça-feira, 4, a coleta de assinaturas para criar a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) encarregada de aprofundar as investigações sobre o esquema de venda de pareceres técnicos em órgãos públicos.

Chamada de CPI da Rosemary, por ter na ex-chefe de gabinete da Presidência da República em São Paulo, Rosemary Nóvoa de Noronha, a principal facilitadora do esquema, a comissão de senadores tentará apurar a participação de antigos e atuais aliados do governo, além dos que foram identificados pela Polícia Federal. É o caso dos ex-diretores da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e da Agência Nacional de Águas, Paulo Rodrigues Vieira e Rubens Rodrigues Viera, apontados como chefes da quadrilha, e do número dois da Advocacia-Geral da União José Weber de Holanda.

O líder do PSDB, senador Alvaro Dias (PR), lembra que a Polícia Federal não quebrou o sigilo telefônico de Rosemary, ao contrário do que ocorreu com os demais envolvidos. "A intercepção telefônica é um ritual de qualquer investigação policial e os telefones de uma peça essencial da quadrilha (Rosemary) não foram interceptados", critica. "É um peso e duas medidas", sustenta, ao explicar os motivos de criação da CPI.

O senador afirma que é notória a relação de Rosemary com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Ela foi nomeada por ele, mantida no cargo por ele, ele foi seu advogado para que se mantivesse no cargo no governo Dilma, e todas as investigações da Polícia Federal demonstram existir uma proximidade íntima do ex-presidente com a ex-chefe de gabinete da Presidência em São Paulo".

Alvaro Dias reitera as dificuldades em conduzir uma CPI contra a maioria de senadores aliados do governo. "Nós não criamos falsas expectativas, sabemos que não temos o número suficiente de assinaturas e que dependemos dos governistas", explica. Lembra, no caso, que PSDB e DEM possuem apenas 14 senadores, mais o apoio do senador do PSOL Randolfe Rodrigues (AP). Ficam faltando 12 assinaturas para se atingir o mínimo necessário de 27 apoiadores para criar a comissão. O número para a criação de uma CPI costuma ser alcançado com o apoio de filiados a partidos da base, como Jarbas Vasconcelos (PE) e Pedro Simon (RS) do PMDB; Pedro Taques (MT) e Cristovam Buarque (DF) do PDT; e de outros parlamentares governistas.

O líder tucano reforça que, na pior das hipóteses, o requerimento da CPI da Rosemary vai mostrar à população brasileira quem no Senado compactua com o esquema e quem é contrário.

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