Oposição fecha contra Renan; PT e PMDB liberam voto

Partidos se reúnem às vesperas da decisão sobre a cassação do presidente do Senado, marcada para às 11 horas

Ana Paula Scinocca, do Estadão

11 de setembro de 2007 | 15h51

Às vesperas da sessão que julgará o mandato do presidente do Senado, Renan Calheiros,  o PSDB, PSB e DEM decidiram votar pela cassação do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Já o PT e o PMDB liberaram a bancada para votar de acordo com a opinião pessoal de cada parlamentar.  Veja também:Renan pede voto por telefone e aliados temem reviravolta'Torço para que decisão sobre Renan seja respeitada' Veja especial do caso Renan   Planalto vê fim da linha para senador Lobista ligado a Renan recebeu dólares em NY  Para aprovar a cassação ou a absolvição são necessários a maioria simples dos 81 senadores, ou seja, 41. PSDB e DEM respondem por 30 votos. PMDB, o partido de Renan, tem 19 senadores. O PT responde por 12 parlamentares, e os outros partidos têm 20 cadeiras. O PSDB tem 13 votos no Senado. O único senador liberado pela direção partidária para votar como quiser no julgamento de Renan foi João Tenório, de Alagoas. Trata-se do suplente do governador de Alagoas, Teotônio Vilela. Além disso, Tenório é amigo pessoal de Renan, e é também um aliado político do presidente do Senado no Estado. De acordo com o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), "os senadores darão à votação os 12 votos solicitados pela cassação do mandato e, portanto pela consagração do relatório assinado pelos senadores (Renato) Casagrande (PSB-ES) e pela nossa companheira Marisa Serrano (PSDB-MS)". Um senador, João Tenório (AL), ficou liberado para votar como quiser pelas relações pessoais com Renan. A líder do PT no Senado, Ideli Salvati (SC), disse que, apesar de liberar a bancada para votar "livre, leve e solta" a proposta de cassação do mandato do senador Renan Calheiros (PMDB-AL), teme que o processo tenha "risco de vício, de contaminação pelos interesses que possam estar em jogo". Segundo ela, não houve nenhum tipo de orientação. "Não houve orientação em nenhum sentido", garantiu. Indagado sobre a possibilidade de fechar questão sobre o tema, o senador Almeida Lima (PMDB-SE), um dos autores do relatório que absolvia Renan no Conselho de Ética, afirmou que a proposta não está incluído em nenhum programa partidário. "Acho que está em programa partidário a tese de que devemos ter uma administração limpa e não corrupta. E isso nós temos propugnando. Portanto, é uma questão de avaliação." Já o PSB, partido do senador Renato Casagrande (ES), que produziu o relatório a favor da cassação no Conselho de Ética, os três integrantes da legenda (Antônio Carlos Valadares (SE), Patrícia Sabóia (CE), e ele) vão votar "fechados" pela cassação. "Vão votar com o meu relatório", disse. Mais cedo, comentou que nenhum partido pode ser considerado "fiel da balança", porque "há muita divisão no Senado". Estou sentindo um ambiente de preocupação na votação amanhã. Porque quem vai ser julgado não é o senador, é o Senado." Processo Renan responde a processo por quebra de decoro parlamentar. Segundo denúncia, ele teria despesas pessoais pagas por um lobista ligado á construtora Mendes Junior.  Além desta, o presidente do Senado á alvo de mais três acusações: favorecimento à cervejaria Schincariol, dono oculto de duas emissoras de rádio em Alagoas e suposta participação em esquema de propina envolvendo membros do PMDB. (Com Agência Brasil e Reuters) Texto atualizado às 20h29

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