Oposição fará representação contra quebra de sigilo da Folha

O líder da oposição na Câmara, deputado José Carlos Aleluia (PFL-BA), afirmou que vai entrar com representações junto ao Ministério Público e ao Conselho Nacional de Justiça contra o delegado da Polícia Federal Diógenes Curado e o juiz Marco Alves Tavares, respectivamente. O delegado pediu, e o juiz autorizou, a quebra do sigilo de dois telefones do jornal Folha de S. Paulo, os quais estariam no registro de um telefone de um suposto envolvido com o esquema do dossiê Vedoin. Aleluia disse ser "evidente" que o delegado foi "tendencioso e negligente" ao pedir a quebra do sigilo telefônico de dois números da Folha. O deputado argumenta, ainda, que o juiz não poderia ter concedido a quebra de sigilo sem motivos claros. O líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), afirmou que o partido é contra qualquer ação contra a liberdade de imprensa. "Se houve qualquer tipo de abuso, somos radicalmente contra. Uma coisa é a Polícia Federal trabalhar para investigar um crime; outra é a Polícia Federal avançar o sinal e quebrar o sigilo de quem não deve quebrar", disse Chinaglia. O líder afirmou que a liberdade de imprensa é um pressuposto da construção da democracia. Mais ameno, o presidente interino do PT, Marco Aurélio Garcia, disse que a quebra do sigilo telefônico, de um das linhas da sucursal da Folha de S. Paulo, em Brasília, na investigação da tentativa de compra do dossiê Vedoin, foi feita com autorização judicial. Ele negou que o governo esteja cerceando a liberdade de imprensa e ressaltou que qualquer comunicação telefônica ou por correspondência está preservada e é um direito de garantia individual e que, portanto, só uma decisão judicial é que pode atingi-la. "O governo não tem nenhuma medida de cerceamento da imprensa. O governo tem garantido neste país uma liberdade de imprensa absoluta", afirmou Garcia, acrescentando que o governo tem sido objeto de ataques na imprensa e que tem convivido com isso. "Qualquer atentado que haja na liberdade de imprensa receberá do governo, do PT e de mim, em particular, uma condenação muito enérgica", disse.

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