Oposição fará encontro de prefeitos com pré-candidatos

Planejado por PSDB, DEM e PPS para março, evento em Brasília com Serra e Aécio inclui ainda vereadores

Luciana Nunes Leal, O Estadao de S.Paulo

14 de fevereiro de 2009 | 00h00

A oposição não vai reagir apenas com medidas judiciais ao que considera antecipação ilegal da campanha eleitoral pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pela ministra Dilma Rousseff, pré-candidata do PT na sucessão presidencial de 2010. A resposta política acontecerá na última semana de março, quando PSDB, DEM e PPS promoverão, em Brasília, um encontro de prefeitos e vereadores dos três partidos, intitulado Aliança pelo Brasil - Bases em Movimento. Os convidados especiais serão os governadores de São Paulo, José Serra, e de Minas Gerais, Aécio Neves, os dois pré-candidatos tucanos à Presidência da República.Foi um encontro com prefeitos, financiado pelo governo federal e realizado na terça e quarta-feira passadas, que motivou a decisão do DEM e do PSDB de entrar com uma ação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), na próxima semana, contra o presidente e a ministra. Os comandos das duas legendas entenderam que Lula usou dinheiro público para fazer campanha para Dilma, já que prestigiou a ministra na reunião com mais de 3.500 governantes. Na ocasião, o presidente anunciou um pacote de bondades para os municípios e os prefeitos puderam até posar para fotomontagens em que apareciam ao lado de Lula e Dilma. O Planalto esclareceu que as fotos eram iniciativa de uma empresa particular e não tinham apoio ou dinheiro do governo.Os organizadores do encontro da oposição acreditam que está na hora de mobilizar lideranças municipais em torno da disputa eleitoral do ano que vem, especialmente depois dos movimentos de Lula para dar visibilidade à ministra Dilma. Na última quinta-feira, quando o DEM formalizou ao Tribunal de Contas da União (TCU) pedido de auditoria nos gastos do governo com o encontro nacional de prefeitos, o líder do partido na Câmara, Ronaldo Caiado (GO), disse que a campanha era "descarada" e que o grande problema foi o uso do dinheiro público para "promoção da ministra". "Sem dúvida alguma, parecia um comício", criticou o líder ao comentar a reunião dos prefeitos. "O cidadão vai perguntar: onde está o candidato da oposição?"Responsável pela organização da reunião dos oposicionistas, o deputado Rodrigo de Castro (PSDB-MG) diz que espera a presença de cerca de mil prefeitos e vereadores de todo o País. "A responsabilidade da escolha do candidato cabe exclusivamente ao PSDB. Mas já é hora de botar o bloco na rua", diz Castro. O parlamentar garante que todos os cuidados serão tomados para não caracterizar campanha eleitoral, mas que não há impedimento legal nenhum na reunião de políticos de partidos aliados. "O encontro é voltado para prefeitos e vereadores e terá palestras sobre administração pública. E o mote político será apresentar os pré-candidatos Aécio e Serra", diz Castro. Segundo ele, os dois governadores participarão do mesmo painel e falarão sobre suas experiências nos governos de Minas e São Paulo. Castro ainda não conseguiu fechar o local do encontro. A preferência é por um dos auditórios da Câmara ou do Senado. O presidente nacional do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ), diz que o encontro ajudará a tirar a impressão de que a oposição está enfraquecida por divergências internas. As brigas, no entanto, existem, especialmente no PSDB. Além da divisão entre os grupos favoráveis a Aécio e a Serra, os tucanos da Câmara tiveram um grave conflito por causa da recondução ao cargo de líder do paulista José Aníbal, o que provocou a rebelião de 19 deputados mais próximos de Serra. Eles formaram um grupo independente e não se submetem à liderança de Aníbal, reeleito líder com o voto de 36 deputados."Os problemas fazem parte do passado. Quem tem dois ótimos candidatos como os governadores Aécio Neves e José Serra não pode estar dividido. Ter esses dois candidatos é ótimo para a aliança e vai gerar uma chapa pela qual todos trabalharão. A realização de prévias ou não é um problema do PSDB. Caberá ao PSDB a escolha. Não tem problema ter disputa, o importante é o processo ser feito com transparência", ameniza Rodrigo Maia.

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