Oposição fala em ´represália do governo´ para quebra de sigilo

A oposição ao presidente Lula no Congresso denunciou nesta Segunda "represália do governo" ao gesto do caseiro Francenildo dos Santos Costa, o Nildo, que provocou a queda de Antonio Palocci. Foi da Justiça a decisão de autorizar o acesso aos dados bancários de Nildo. Mas, na avaliação do senador Álvaro Dias (PSDB-PR), a Polícia Federal poderia ter retirado antes o pedido de quebra do sigilo."Não havia necessidade de quebrar o sigilo dele (Nildo), uma vez que já abriu mão espontaneamente", disse o senador. "Já quebraram o sigilo criminosamente, agora agem assim? É uma obra de marketing do governo? Uma tentativa de confundir a opinião pública sobre o comportamento do caseiro?"Para Dias, o ministro Marcio Thomaz Bastos, da Justiça, deve dar explicações à PF. "Tem que explicar as razões de ter recomendado um advogado a Palocci", reiterou o senador. "Além disso, tem que explicar a presença de dois de seus assessores de confiança que, coincidentemente, estavam na casa do Palocci no mesmo horário em que ele recebia os extratos bancários do caseiro. Ou seja, o ministro da Justiça não pode adotar uma posição de dubiedade, ele não pode tirar a vestimenta de ministro para ser advogado de defesa de Palocci. É ministro da Justiça? Então, tem que trabalhar ao lado da investigação."O senador acredita que "o que houve mesmo é que a cúpula do governo se envolveu num complô para tentar esconder da população um crime praticado no interior do governo". Dias suspeita que "o ministro foi escalado para ser o patrocinador da causa dos que cometeram o crime ao sugerir o nome do advogado para Palocci".Ele destacou que "todas essas manipulações, essa mobilização em torno desse episódio para blindar o governo atinge o próprio presidente da República, que não diz uma palavra a respeito, como se estivesse totalmente alienado".

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