Oposição exige que Agaciel seja investigado

Senadores querem abertura de inquérito policial para apurar o esquema de atos secretos comandado por ele

Christiane Samarco e Eugênia Lopes, O Estadao de S.Paulo

25 de junho de 2009 | 00h00

O pacote para moralizar o Senado, anunciado pelo presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), não abafou a crise dos atos secretos. Senadores de oposição pediram ontem que a Polícia Federal e o Ministério Público investiguem o ex-diretor-geral Agaciel Maia, afilhado de Sarney. Até um pedido de CPI dos Atos Secretos circulou. Senado: Veja os 633 atos secretos e o especial sobre o escândaloO senador Demóstenes Torres (DEM-GO) pediu que a PF e a Procuradoria-Geral da República investiguem Agaciel, que comandou o esquema de atos secretos nos últimos 14 anos. À PF, requereu abertura de inquérito para apurar suposto crime de prevaricação. Ao Ministério Público, solicitou que instaure procedimento contra o ex-diretor por improbidade administrativa, uma vez que teria praticado atos para "satisfazer interesse pessoal". O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), enviou a Sarney pedido de abertura de processo administrativo disciplinar contra Agaciel e o ex-diretor João Carlos Zoghbi para que sejam demitidos do serviço público.O senador José Nery (PSOL-PA) atuou em outra frente: começou a coletar assinaturas para criar uma comissão parlamentar de inquérito. Para que a CPI seja instalada, é necessário que 27 senadores assinem o requerimento. Batizada de "CPI da máfia do Senado", teria como objetivo investigar a edição de atos secretos.BLINDAGEMAliados e adversários de Sarney avaliam que ele ganhou fôlego ao entregar ao DEM do primeiro-secretário Heráclito Fortes (PI) a responsabilidade pela troca do diretor-geral. Ao mesmo tempo, o grupo mais próximo dele vê uma "operação de risco" na entrega desse nicho de poder que, por tradição, pertence ao presidente da Casa. O entendimento é de que, se por um lado o PMDB isolou o PSDB e "amarrou" os 13 votos do DEM, indispensáveis para manter o presidente do Senado, por outro está arriscado a perder apoios. O risco é alto porque se trata de uma operação casada de blindagem de Sarney e da primeira-secretaria, que é reduto do DEM. Um expoente do grupo sarneysista diz que o "perigo" é que não consigam evitar o aparecimento de novas denúncias de corrupção e irregularidade na primeira-secretaria, que já foi comandada por outros dois senadores da cota do DEM: Efraim Moraes (PB) e Romeu Tuma, hoje no PTB. Um amigo de Sarney teme que fique claro que a tática foi "blindar" administrações anteriores do DEM e que novas denúncias acabem derrubando toda a Mesa Diretora. Afinal, lembra o parlamentar, o diretor-geral que substituiu Alexandre Gazineo é Haroldo Tajra, que trabalhou quatro anos com Efraim antes de integrar a equipe de Heráclito na primeira-secretaria.

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