Oposição: entre FHC e ACM

Nem governo nem ACM. É essa a neutralidade que a oposição vai procurar manter, a partir de hoje, quando as divergências do ex-presidente do Senado Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA) com o Palácio do Planalto ameaçam se sobrepor a agenda política do Legislativo. O senador Jefferson Péres (PDT-AM) defende essa postura cautelosa para impedir que a oposição venha a ser utilizada como "instrumento do governo contra ACM ou do senador contra seus ex-aliados políticos". Segundo ele, a oposição deve, sim, é se empenhar em investigar as denúncias de corrupção feitas pelo senador, mas sem que isso implique num alinhamento pessoal. Péres fará um discurso na segunda-feira defendendo esse ponto de vista. Ele vaireforçá-lo no dia seguinte na reunião dos partidos de oposição. O senador também vaicriticar da tribuna o comportamento do Ministério Público que, a seu ver, passou aalimentar o conflito entre ACM e o Executivo por intermédio de declarações atribuídas aoprocurador Luiz Francisco de Souza. "É preciso fazer algo para que as instituições nãovenham a ser enxovalhadas", defendeu o senador. O ideal, no entender do parlamentar, seria criar uma CPI que se encarregaria de mostrar quem tem razão ou não nessa briga. "Porque o que temos até agora são medidas de intimidação que não interessam ao País",justificou. O senador Tião Viana (PT-AC) disse concordar que a oposição necessita de "serenidade e prudência" para atravessar um quadro conflituoso que só o afeta em dois pontos: a declaração atribuída a ACM de que a senadora Heloisa Helena (PT-AL) teria votado contra a cassação do senador Luiz Estevão (PMDB-DF) e o fato dele denunciar ministros e outros auxiliares do presidente Fernando Henrique por corrupção. Para Viana, além de "defender a honra da senadora", é necessário apurar os fatos apontados por ACM, sob pena de a oposição vir a ser futuramente acusada de omissão.RequerimentosOs procedimentos práticos da oposição terão início ainda hoje.Requerimentos que serão apresentados pelo líder no Senado, José Eduardo Dutra (PT-SE),vão tentar abranger todas as declarações feitas por ACM na reportagem da revista Isto É.Um deles vai pedir ao senador que ACM encaminhe à Comissão de Fiscalização e Controle os documentos que disse ter em seu poder que comprovariam irregularidades cometidas poraliados do presidente Fernando Henrique. O outro requerimento é para que o Conselho deÉtica e Decoro Parlamentar do Senado se pronuncie sobre afirmações de ACM ao Ministério Público de que ele teria obstruído os trabalhos de investigação sobre a suposta ligação do ex-secretário-geral da Presidência da República Eduardo Jorge com a fraude nas obras do Fórum Trabalhista de São Paulo. E, ainda, para que o conselho ouça ACM sobre ainformação de que a senadora Heloísa Helena teria votado contra a cassação de LuizEstevão. O ex-presidente do Senado disse que não falou desse assunto com os procuradores.

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