Oposição entra com ação que questiona lei do mínimo

Parlamentares de partidos de oposição entregaram hoje ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Cezar Peluso, uma ação na qual questionam a nova lei do salário mínimo. O PPS, o PSDB e o DEM querem que o STF suspenda um dispositivo da lei segundo o qual até 2015 o valor do salário mínimo poderá ser reajustado por meio de decreto presidencial, não sendo necessária a aprovação de uma lei específica pelo Congresso Nacional.

MARIÂNGELA GALLUCCI, Agência Estado

01 de março de 2011 | 18h53

Para a oposição, o dispositivo desrespeita um artigo da Constituição Federal que estabeleceu que o valor do salário mínimo tem de ser fixado por lei. Segundo os partidos, ao usar a palavra "lei" a Constituição referiu-se a uma lei em sentido formal. "Portanto, somente a lei - aprovada nos termos do rito estabelecido pela Constituição Federal - pode fixar o valor do salário mínimo", sustentam.

Os partidos reclamam que pelo novo sistema o Congresso não poderá se manifestar sobre o valor do salário mínimo de 2012 a 2015. "Tal delegação contrasta a mais não poder com a mais elementar concepção de separação dos Poderes", argumentam. "A disposição constitucional exige que a lei `fixe'' o valor do salário mínimo. E `fixar'' é, sem dúvida, definir todos os elementos que compõem certo conceito ou valor", alegam.

Um dos participantes do encontro com Peluso, o senador Álvaro Dias disse que ocorreu uma usurpação do poder do Congresso Nacional de participar da discussão sobre o valor do salário mínimo. Dias afirmou que a oposição gostaria de ter resolvido o problema no próprio Legislativo. Mas como não foi possível os partidos tiveram de recorrer ao STF.

"Não podemos trocar uma discussão feita por 513 deputados e 81 senadores por uma decisão de uma única pessoa (a presidente da República). No debate no Congresso, sempre é possível conseguir mais benefícios para o trabalhador", disse o deputado federal Moreira Mendes (PPS-RO) após a audiência com Peluso.

A ação protocolada no Supremo tem pedido de liminar. Ministros do STF que vão participar do julgamento já fizeram previsões de que haverá bastante debate no caso. "A ordem natural das coisas é a aprovação pelo Congresso para ter-se lei no sentido formal e material", afirmou recentemente o ministro Marco Aurélio Mello.

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