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Oposição elogia recuo de Dilma em discurso na ONU

Presidente pretendia dizer que é vítima de um golpe mas, após declarações de ministros do Supremo defendendo a legalidade do processo de impeachment, desistiu e limitou-se a falar sobre clima e situação atual do Brasil

Pedro Venceslau e Cláudia Trevisan, enviados especiais e Altamiro Júnior, correspondente, O Estado de S.Paulo

22 de abril de 2016 | 15h29

 

Foz do Iguaçu e Nova York - Parlamentares de oposição elogiaram o recuo da presidente Dilma Rousseff em não ter defendido em seu discurso na Organização das Nações Unidas que está sendo vítima de um golpe no Brasil. Dilma falou por pouco mais de oito minutos, dos quais a maior parte sobre como o Brasil está combatendo a mudança climática e no minuto final falou do momento atual do Brasil.

Para o senador Romero Jucá (RR), presidente nacional do PMDB, a presidente Dilma Rousseff teve um "rasgo de equilíbrio" em seu discurso na ONU por não ter defendido na tribuna que há em curso um golpe no Brasil devido ao impeachment.

"Interpretei a fala dela como um rasgo de equilíbrio. Não é possível sair expondo o País de forma irresponsável. Não há golpe no Brasil", afirmou Jucá ao Estado. Ele e outros líderes de oposição participam nessa sexta-feira (22) do Fórum Empresarial, em Foz do Iguaçu.

"Ela recuou. Isso foi importante. Questões como essa não podem ser levadas ao ambiente externo. Isso iria expor a imagem e a institucionalidade do nosso País", concluiu Jucá.

A oposição e o grupo político do vice – presidente Michel Temer temiam que a presidente defendesse na ONU, onde ela discursou na cerimônia de assinatura do Acordo de Paris sobre Mudança do Clima, a tese de que o impeachment é um golpe.

Dilma não usou o termo "golpe" nem se defender abertamente do processo de impeachment. Fez apenas uma discreta menção à crise política do Brasil.

A avaliação de deputados da oposição que acompanharam em Nova York o discurso da presidente Dilma Rousseff nas Nações Unidas (ONU) nesta sexta-feira é que prevaleceu o bom senso na fala da presidente, que mencionou a crise no Brasil no final do discurso, mas não citou as palavras “impeachment” e “golpe”.

O deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA) declarou que o pronunciamento “foi perfeito” e prevaleceu o “bom senso”. “A presidente disse que não haverá retrocesso e não haverá mesmo”, afirmou a jornalistas na sede da ONU. “Foi um discurso compatível com a chefe de Estado brasileira.”

Aleluia e o deputado do deputado Luiz Lauro Filho (PSB-SP) viajaram a Nova York por determinação do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, para acompanhar o pronunciamento de Dilma. Para Aleluia, a presença deles na ONU “seguramente teve influência” na decisão da presidente de não atacar as instituições brasileiras.

Ambos viajaram de classe executiva e estão recebendo uma diária de US$ 300. A hospedagem no hotel Mariott East Side também custeada pela mesma Câmara dos Deputados que alega falta de recursos para não convocar o lobista Fernando Baiano para depor no pedido de cassação de Cunha.

Aleluia disse que o gasto foi justificável, enquanto Lauro Filho considerou “estranho” o argumento de falta de recursos para a não convocação. “O orçamento é o mesmo e há recursos para enviar parlamentares a Nova York”, disse. “O depoimento de Fernando Baiano é importante e ele tem que ser convocado.” O deputado do DEM disse que não viajaria a Nova York de classe econômica. “Não tenho mais saúde para isso.”

Segundo os dois parlamentares, a missão do Brasil na ONU informou inicialmente que não poderia credenciá-los para a cerimônia de assinatura do Acordo de Paris sobre mudança climática, que teve a participação de Dilma. “Prefiro acreditar que o embaixador tenha cometido um equívoco”, disse Aleluia se referindo ao representante do Brasil na instituição, Antonio Patriota.

Os dois deputados também justificaram a ida a Nova York pela necessidade de apresentar à imprensa estrangeira a versão da oposição sobre o processo de impeachment de Dilma.

Aleluia observou que o rito obedece à Constituição brasileira e prevê o amplo direito de defesa da presidente. “Se ela mentir, nós refutaremos. Até agora ela não mentiu.”

Aleluia disse que concedeu entrevista por telefone ao jornal New York Times e falou com a CNN em frente à ONU. "As pessoas nos Estados Unidos estão entendendo que o que acontece no Brasil é um processo constitucional."

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