Oposição e base aliada divergem sobre acordo com a China

O líder do PFL no Senado, José Agripino (RN), teme que um eventual acordo do Brasil com a China para troca de tecnologia nuclear "enseje novas admoestações internacionais e deixe o País numa saia justa". O líder disse estranhar a possibilidade de o País construir 11 usinas nucleares na China com uma tecnologia que não domina. Agripino lembrou que, recentemente, o Brasil foi criticado pela Comissão Internacional de Energia Nuclear por não permitir a fiscalização do processo de enriquecimento de urânio no Rio de Janeiro. Ele lembrou que o Brasil está submetido a convênios e acordos internacionais e disse que isso pode permitir que outros países critiquem o acordo. Agripino admitiu que a medida poderia gerar empregos e divisas. "Acho bom o acordo, mas, se houver constrangimentos, deve-se ponderar", concluiu. O senador Tião Viana (PT-AC) disse que a negociação de um acordo com a China é uma boa notícia e que não há razão para temer que este acordo possa resultar no uso da energia nuclear para a produção de armamentos nucleares. "O Brasil é um País de paz, sem tradição na proliferação de armas nucleares, e com certeza sua utilização será exclusivamente para fins pacíficos", afirmou Viana. Segundo ele, os Estados Unidos deverão perceber "que surgiu um outro pólo no multilateralismo internacional e deverão considerar a novidade como uma desafio de sua política de hegemonia, pelo menos no campo da tecnologia e do comércio".O vice-líder do PMDB e do governo, senador Ney Suassuna (PB), disse que o acordo do Brasil com a China para troca de tecnologia nuclear "é ouro sobre o azul, vai ficar lindo". Segundo Suassuna, um acordo como este vai dar ao Brasil condições de dinamizar o uso de usinas nucleares no País e fazer a indústria deste setor funcionar. O senador previu que o acordo provocará reações dos Estados Unidos, e que "vão buscar uma forma de retaliação. Mas quem tem medo não vive, e o País precisa ousar". Suassuna disse, ainda, que os Estados Unidos podem, também, ter boa vontade e compreender que o Brasil está fazendo um acordo comercial para venda de energia. Ele lembrou que o País tem grande quantidade de urânio e, com este acordo, estará aproveitando um potencial de exportação, "uma commodity que está à disposição do País".

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