Oposição dribla governo e convoca Dilma para depor no Senado

Ministra da Casa Civil terá que explicar suposto dossiê tucano; governo pressiona e oposição pode voltar atrás

Rosa Costa, de O Estado de S. Paulo,

03 de abril de 2008 | 11h20

O presidente da Comissão de Infra-Estrutura, senador Marconi Perillo (PSDB-GO), realizou uma manobra nesta quinta-feira, 3, e conseguiu convocar a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, para depor na comissão sobre o suposto dossiê de gastos sigilosos do governo Fernando Henrique Cardoso. Originalmente, a ministra deveria dar explicações sobre a usina de Belo Monte e outras obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). A inclusão do dossiê entre os assuntos do requerimento de convocação de Dilma foi possível porque não havia senadores governistas na sessão no momento da aprovação do documento.   Veja também: PSDB apresenta recurso para convocar Dilma ao Senado Governo usa 'rolo compressor' e oposição ameaça com nova CPI CPI rejeita pedido para governo divulgar dados sigilosos PSDB quer apurar vazamento de dossiê no governo Gastos com cartões já somam R$ 9 milhões em 2008 CPI pede lista dos titulares que sacaram dinheiro com cartão CPI terá dados que complicam ministros de Lula e FHC Documento do TCU não sustenta versão sobre 'banco de dados' CPI dos cartões: quem ganha e quem perde?  Entenda a crise dos cartões corporativos  Só depois da aprovação chegaram à comissão três senadores governistas, entre eles o líder do governo, Romero Jucá (PMDB-RR), que afirmou não concordar com a iniciativa de Perillo de aprovar individualmente um aditamento para que Dilma também fale à comissão sobre o suposto dossiê tucano, que não estava entre os assuntos previstos. Diante das ameaças do governo de derrubar o aditamento ao requerimento de Dilma, Perillo afirmou que deve retirar o aditamento. O presidente disse estar convencido de que, "no comparecimento para falar do PAC, o debate vai extrapolar e com certeza chegará aos cartões corporativos e a outros temas de interesse da sociedade".   Segundo Perillo, se a Comissão não se satisfizer com os esclarecimentos da ministra sobre cartões corporativos, reapresentará a convocação, "porque é do nosso dever debater assuntos de interesse da sociedade". Concluiu Perillo: "não podemos concordar em esconder a sujeira debaixo do tapete".   Jucá argumentou que a questão dos cartões já está sendo investigada pela CPI Mista dos Cartões Corporativos e disse que vai recorrer ao plenário da Casa para derrubar os dois requerimentos de convocação da ministra aprovados na comissão. Ao justificar o recurso, Jucá afirmou que "partir para o embate político" é o interesse dos representantes da oposição na comissão. "E nós não vamos concordar com isso", acrescentou.   Na avaliação do senador Heráclito Fortes (DEM-GO), a intenção de Jucá é a de "desmoralizar o Senado". "O senhor é um parlamentar experiente, mas, de uns tempos para cá, se tornou truculento. O que o senhor está tentando fazer aqui na comissão é justificar a ausência de senadores da base na reunião de hoje", acrescentou, referindo-se ao fato de que os requerimentos de convocação de Dilma foram aprovados no início da sessão, quando só havia oposicionistas na comissão.   O primeiro requerimento aprovado é para que Dilma fale à comissão sobre o andamento das obras de construção, no Pará, da usina hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingu, incluído no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O segundo, para a ministra falar sobre as obras do PAC em geral. Um terceiro assunto acabou sendo incluído na convocação de Dilma por meio de um aditamento apresentado pelo presidente da comissão, senador Marconi Perillo (PSDB-GO), cuja aprovação foi possibilitada pela ausência de senadores da base do governo.    Perillo, referindo-se à decisão de Jucá de apresentar recurso ao plenário contra a aprovação da convocação da ministra, afirmou que não censurará nenhum parlamentar na comissão. Disse que um comunicado sobre a aprovação dos requerimentos será enviado nesta quinta-feira à ministra. "Vossa Excelência, senador Jucá, tem todo o direito de recorrer ao plenário. Aliás, os parlamentares desta Casa estão ávidos para debater uma série de questões que não são do interesse do governo (debater)."   O presidente da comissão disse também que a convocação foi feita de acordo com as atribuições da Comissão de Infra-Estrutura e nos termos previstos na Constituição. "A ministra é que resolver se vai cumprir a Constituição", concluiu.

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