Oposição diverge sobre viagem de Dilma aos EUA

Deputados de oposição se dividiram sobre a decisão da presidente Dilma Rousseff de cancelar o encontro com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, marcado inicialmente para 23 de outubro. Enquanto DEM e PSDB concordam que a presidente teria errado em sua postura, o PSOL diz que a medida não resolve o problema da suposta espionagem do governo norte-americano, mas considera que Dilma agiu corretamente ao ser mais "dura" com a potência do Hemisfério Norte.

DAIENE CARDOSO E JOÃO DOMINGOS, Agência Estado

17 de setembro de 2013 | 19h29

Membro da Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados, o deputado Eduardo Azeredo (PSDB-MG) avalia que a presidente brasileira foi precipitada e deveria aguardar uma explicação do governo Obama antes de cancelar o encontro. Azeredo acredita que Dilma tomou a decisão "com base no conselho dos marqueteiros". Segundo Azeredo, em missão recente nos Estados Unidos, um grupo de parlamentares brasileiros foi informado de que a Casa Branca não tinha interesse em espionar autoridades do Brasil e que, se houve espionagem na Petrobras, alguém teria agido de forma não autorizada. "Passamos a nos igualar à Venezuela e à Bolívia, que têm a bandeira do antiamericanismo", comentou.

Já o líder do DEM na Câmara dos Deputados, Ronaldo Caiado (GO), disse que faltou a Dilma um "comportamento de estadista" e que sua reação manifestou uma posição "estritamente ideológica". "O Brasil deve exigir reparação e penalização de quem cometeu espionagem, mas não cabe à presidente adotar um comportamento ideológico", condenou o líder em seu perfil no Twitter. Caiado lembra que o governo brasileiro age de maneira distinta com os vizinhos alinhados politicamente. "O país já conviveu com situações como a da Bolívia, quando Evo Morales saqueou refinarias brasileiras e o governo não tomou qualquer atitude", comparou.

"Jogada de marketing"

Para o presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG), a decisão da presidente foi uma "jogada de marketing". "Seria mais adequado que a presidente Dilma aproveitasse a viagem para enfrentar essa questão (da espionagem) e defender os interesses da economia nacional e das empresas brasileiras. Mas ela preferiu o marketing, mais uma vez", criticou Aécio Neves, possível candidato à sucessão presidencial. "Importante observar que a reunião decisiva para a presidente não ocorreu com o ministro das Relações Exteriores, mas com a equipe de assessores de marketing", afirmou Aécio Neves. Para ele, o Brasil está jogando fora uma oportunidade única de dizer o que tem a dizer aos Estados Unidos e tirar proveito da atual situação.

Aécio disse ainda que o governo brasileiro investiu apenas 10% da verba orçamentária destinada à defesa cibernética. Portanto, segundo ele, o Estado brasileiro é vulnerável à espionagem também porque não faz investimentos na sua defesa.

Edward Snowden

Também membro da Comissão de Relações Exteriores da Casa, o líder do PSOL, Ivan Valente (SP), avaliou que a atitude da presidente Dilma Rousseff tem um impacto político importante. "Acho que tem uma simbologia forte, mas não resolve o problema da espionagem. Mas é uma resposta política acertada", considerou. Valente esteve nesta terça-feira, 17, na Embaixada da Rússia para discutir um possível encontro de parlamentares brasileiros com o ex-técnico da CIA Edward Snowden, exilado naquele país. Ele contou que o governo russo se comprometeu a dar uma resposta nos próximos dias sobre a viabilidade deste encontro.

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