Oposição deverá relatar medidas do PAC na Câmara

Deputados de oposição vão relatar parte do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), carro-chefe do segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Nesta quinta-feira, 15, durante todo o dia, o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), conversou com os líderes dos partidos para definir os deputados que terão a tarefa de relatar as medidas provisórias e os projetos de lei do programa. Chinaglia disse aos líderes que, com o convite à oposição, quer mostrar que as divergências da disputa pela presidência da Câmara ficaram no passado e que agora ele é presidente da instituição.Chinaglia foi eleito para o cargo depois de uma disputa acirrada com o ex-presidente da Câmara Aldo Rebelo (PCdoB-SP), que teve apoio do PFL e de parte do PSDB. O líder do PFL, deputado Onyx Lorenzzoni (RS), disse que Chinaglia fez um gesto importante ao oferecer uma das relatorias para um deputado do partido. Ele afirmou que consultará deputados da bancada sobre a oferta, mas sinalizou que o PFL deverá relatar uma das medidas provisórias. "No que depender de mim, sim", disse o líder, após encontro com Chinaglia ontem no final da tarde.O presidente da Câmara também dará a tucanos a tarefa de relatar parte do PAC. Chinaglia também conversou com o líder da bancada, deputado Antonio Carlos Pannunzio (SP), e ofereceu a relatoria de duas medidas provisórias e de um projeto de lei. Pannunzio ficou de consultar a bancada antes de dar a resposta a Chinaglia. ProporcionalidadeO presidente da Câmara tentava fechar o quebra-cabeça das indicações. Um dos interlocutores de Chinaglia afirmou que as relatorias serão distribuídas aos partidos seguindo a proporcionalidade, ou seja, quanto maior a bancada do partido, mais relatorias a bancada terá. Os nomes que serão escolhidos para relatar as propostas do PAC deverão levar em conta a identidade dos deputados com os temas das medidas provisórias e dos projetos de lei, segundo relatou o líder do PDT, Miro Teixeira (RJ), que também se reuniu com o presidente da Câmara.A determinação de Chinaglia de entregar parte do PAC para ser relatado por deputados de oposição provocou insatisfação na base. O líder do PR, Luciano Castro (RR), não gostou da decisão. "Esse é um programa de investimento muito importante. Vou tentar mudar a opinião do presidente", afirmou Castro, que ontem também se reuniu com Chinaglia.O PAC - anunciado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 22 de janeiro deste ano - tem como objetivo destravar a economia e garantir a meta de crescimento de 5%. Prevê investimentos de R$ 503,9 bilhões até 2010 em infra-estrutura: estradas, portos, aeroportos, energia, habitação e saneamento.

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