Oposição deve definir ofensiva contra governo

Faltando apenas conquistar o apoio de dois senadores para a criação da comissão parlamentar de inquérito (CPI) com o objetivo de investigar corrupção, a oposição deve se reunir hoje na tentativa de definir uma ofensiva de neutralização do contra-ataque do governo. A oposição vinculou parte da estratégia à renúncia do mandato do senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), que antecipou que o filho e suplente, o empresário Antônio Carlos Magalhães Júnior (PFL-BA), poderá assinar o requerimento de CPI.Depois que ACM anunciar a renúncia, o que deve ocorrer amanhã, os partidos de esquerda retomarão a coleta de assinaturas. A oposição tem como certo o apoio de 25 senadores às investigações na Casa: 22 parlamentares subscreveram o requerimento de CPI e três outros senadores, todos da bancada do PPS, prometeram fazer o mesmo ainda esta semana. Se ACM Júnior e o substituto do ex-senador José Roberto Arruda (sem partido-DF), Lindberg Cury, que admitiu apoiar a CPI na semana passada, aderirem oficialmente ao movimento, as legendas de esquerda terão conseguido as 27 assinaturas, número regimental para protocolar o pedido no Senado.Na avaliação da senadora Heloísa Helena (PT-AL), o governo reeditará a operação abafa contra a CPI, mas não terá sucesso. "As ações do governo para impedir a CPI da corrupção no Congresso deram certo, mas produziram alguns efeitos colaterais: inflacionaram o mercado porque os preços dos parlamentares subiram muito", disse Helena, em referência à liberação de recursos orçamentários para que deputados retirassem as assinaturas do pedido de CPI."O governo, se quiser convencer os senadores a recuar da posição, terá de oferecer muito mais do que ofereceu para os 20 deputados, o que considero inviável", declarou. Para abrir uma CPI mista, a oposição havia conquistado o apoio oficial de 182 deputados e 29 senadores, mas a iniciativa naufragou depois que 20 deputados retiraram os nomes do requerimento em troca de liberação de verba federal e favores políticos. Além disso, de acordo com ela, a opinião pública está "em vigília" para acompanhar os próximos passos do Palácio do Planalto com o objetivo de barrar as investigações no Senado. "Pegou muito mal para o governo", declarou ela, citando novamente a frustrada tentativa de instalar uma CPI.Para tentar atrair entidades para o movimento pró-CPI, as siglas de oposição convidaram para a reunião de hoje, que será em Brasília, várias entidades, entre elas, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). A esquerda também prepara um ato para o fim do mês em Brasília, a chamada Passeata dos 200 mil, para pedir a instalação da comissão no Senado.

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