Oposição deve apresentar pedido de CPI na quarta

O governo deverá sofrer uma derrotanos próximos dias já que a oposição garante ter recolhidoassinaturas suficientes para assegurar a instalação da ComissãoParlamentar de Inquérito (CPI) da Corrupção, contrariando osdesejos do Palácio do Planalto. Nesta quarta-feira, o líder doPT no Senado, José Eduardo Dutra (AL), apresenta requerimentopedindo a abertura das investigações, enquanto o líder dogoverno no Congresso, Arthur Virgílio Neto (PSDB-AM), tentaráevitar que a comissão seja instaurada. Virgílio Neto alega que aConstituição veta a criação de CPIs sem um "objeto definido",como neste caso em que há 28 itens a serem apurados e por causadisso, ele entrará com requerimento na Comissão de Constituiçãoe Justiça. Para evitar a manobra governista, a oposição tratou deresumir a pauta de 28 itens para apenas três temas: denúnciasreferentes à Sudam, à privatização do Sistema Telebrás e aoex-ministro Eduardo Jorge Caldas Pereira. "Dificilmenteconseguirão barrar a CPI da Corrupção pois temos pelo menos umas20 assinaturas a mais do que o exigido (171), além do que apressão externa é imensa", disse Dutra. Considerado um dos principais juristas do Congresso, osenador Jefferson Péres (PDT-AM) rebateu o argumento do governosobre a inconstitucionalidade da CPI. "Há jurisprudência sobreo assunto, um exemplo foi a CPI do Judiciário que incluía 11itens diferentes portanto os governistas estão sofismando",analisou.NegociaçãoEvitando admitir a possibilidade denegociar os itens da CPI, os governistas se negam a reconhecer aderrota. "Vamos esperar o requerimento para depois decidir o quefazer, só não vamos desistir da inconstitucionalidade", afirmouo líder do governo na Câmara, Arnaldo Madeira (PSDB-SP). "O governo não tem medo algum da CPI só que ela causa aparalisia no Congresso, além do mais a pauta éinconstitucional", completou o líder do PSDB na Câmara, JutahyMagalhães Júnior (BA). Para o senador Pedro Simon (PMDB-RS),será inevitável a instalação da comissão. "Sou favorável à CPIe acho impossível retirar assinaturas", disse. Apesar do incômodo do governo em reconhecer a instaçãoda CPI, nos bastidores aumentam as articulações para negociar apauta. Para os governistas, o ideal seria evitar as apurações emtorno de Eduardo Jorge, porém a oposição não abre mão. "Atéagora o Ministério Público não fez nada em relação a isso nemmesmo quebrou o sigilo bancário dele, a gente vai ter de agiraté porque existem fortes suspeitas de irregularidadesenvolvendo os fundos de pensão e o ex-ministro", afirmou olíder petista. Independentemente da discussão, Madeira lembrou que aCPI da Corrupção terá de entrar na "fila" atrás de outras queconcorrem para serem instaladas imediatamente, como a queinvestigará o Sistema de Vigilância da Amazônia (Sivam) e aprivatização do Banespa. Munido da argumentação sobre anecessidade de respeitar a ordem de prioridades, ele seesforçará para barrar o movimento pró-CPI. Já o PT e o PDT ignoram o empenho do governo para barrara CPI e o agravante de que se ela for instalada, a presidênciadeverá ficar com um deputado tucano e a relatoria com um senadordo PMDB. "Infelizmente essa é a composição do Congresso",afirmou Dutra. "Não há problema quanto a isso porque a CPIdepois de instalada ganha movimento próprio e fica praticamenteimpossível limitar avanços", acrescentou ele.

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