Oposição desiste de acordo para antecipar recesso

PSDB e DEM tomaram a decisão depois da recusa dos governistas em instalar a CPI da Petrobrás

Christiane Samarco, O Estadao de S.Paulo

09 de julho de 2009 | 00h00

A ofensiva do governo para antecipar as férias do Legislativo e abreviar a crise do Senado, apressando a votação do projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2010, foi atropelada pela oposição. O PSDB e o DEM rebelaram-se diante da recusa do PMDB e do PT em permitir a instalação imediata da CPI da Petrobrás. Foi por água abaixo o acordo da oposição com os governistas para aprovar a LDO a toque de caixa no plenário do Congresso.Diz a Constituição que o recesso parlamentar, marcado para 17 de julho, só começará se deputados e senadores aprovarem a LDO. Estava tudo certo para votar a proposta ontem, na Comissão de Orçamento, quando o líder do PT no Senado, Aloizio Mercadante (SP), anunciou que sua bancada não tivera tempo de analisar a questão da abertura da CPI.Pressionado a tomar posição, o petista sugeriu que todos os partidos da base aliada se reúnam para discutir o assunto e tomar uma decisão conjunta. Foi a senha para que o PSDB e o DEM anunciassem a obstrução à votação da LDO. "O PT quer conversar com os demais partidos e a instalação da CPI depende do conjunto da base governista, que tem a maioria dos votos", resumiu o líder do PMDB, Renan Calheiros (AL), em meio à briga entre petistas e tucanos no plenário do Senado.Os líderes governistas e aliados fizeram ontem uma rápida reunião na sala do cafezinho dos senadores para avaliar o cenário diante da obstrução que os obrigou a adiar a votação da LDO na Comissão Mista de Orçamento. Sob pressão, eles marcaram para esta manhã a reunião da base. "Se decidirem instalar a CPI, nós suspenderemos a obstrução. Mas, agora, não nos peçam isso", declarou o líder do DEM, senador José Agripino (RN).Os tucanos adiaram para as 14 horas de hoje a entrega do mandado de segurança ao Supremo Tribunal Federal (STF), marcada para as 10 horas. "Vamos aguardar o resultado da reunião. Os indicativos que temos do STF são positivos, mas se eles resolverem instalar a CPI, não será necessário recorrer à Justiça", disse o senador Álvaro Dias (PSDB-PR).DESGASTEDepois de resistir a novos ataques da oposição, o senador José Sarney pôde assistir ontem, sereno, ao bate-boca entre o petista Eduardo Suplicy (SP) e o tucano Tasso Jereissati (CE), que acusou o adversário de proteger "falcatruas patrocinadas pelo PT" na Petrobrás.Na véspera, Renan negociara com tucanos a abertura do inquérito da Petrobrás, sob pressão de liderados que apostam nas férias para baixar a temperatura da crise e dar "folga" a Sarney, aparentemente exausto. A decisão de instalar ou não a comissão ficou condicionada à manifestação da bancada do PT sobre o apoio ao senador.Renan e o líder do PTB, Gim Argello (DF), reuniram-se com Aloizio Mercadante e a líder do governo no Congresso, Ideli Salvatti (SC), para esclarecer os "limites" do PMDB no caso Sarney. Ao final da reunião, a cúpula do PMDB considerou a nota oficial da bancada "aceitável", por não ter focado a crise do Senado no presidente José Sarney.

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