Oposição denuncia manobra no Orçamento e ameaça com CPI

Na última quinta, membros da comissão aprovaram R$ 534 milhões em emendas de sua própria autoria

da Redação,

29 de fevereiro de 2008 | 14h43

O presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), reforçou nesta sexta-feira, 29, as duras críticas à Comissão Mista do Orçamento nesta quinta-feira, 28, por conta de uma manobra que deixou passar na previsão orçamentária deste ano R$ 534 milhões em emendas que, na sua maioria, são de integrantes da comissão. Por causa dessa atitude, os tucanos deixaram a comissão na última quinta em protesto contra as irregularidades.   O tom esquentou ainda com as declarações do senador Pedro Simon (PMDB-RS), que disse apoiar a criação de uma CPI para investigar o que chamou de "escândalo desse orçamento", se for solicitada pelo PSDB e DEM. O PSDB já formalizou a retirada de seus representantes na comissão e o DEM se reunirá na próxima semana para tomar uma posição conjunta das bancadas da Câmara e Senado.   Veja também:        Tucanos deixam Comissão Mista de Orçamento Garibaldi ataca Comissão Mista do Orçamento por 'manobra'   Simon disse ainda, em discurso no plenário, que as denúncias de irregularidades praticadas na Comissão de Orçamento são "mais graves" do que aquelas que aconteceram na chamada CPI dos Anões do Orçamento, em 1993. Segundo ele, naquela época, "as coisas foram feitas à margem, com empreiteiras, e na ilicitude. Mas, agora, estão oficializando. Agora, sem mais nem menos, temos um orçamento paralelo feito por alguns e aceito por outros", denunciou.   Garibaldi também não poupou críticas. "Não podemos ficar à mercê de uma Comissão de Orçamento que compromete o Congresso Nacional, compromete o Senado, a Câmara e compromete todos os parlamentares. Não estou dizendo que todos são responsáveis por isso que está havendo, mas são alguns que insistem em realizar determinadas manobras e comprometem a dignidade do Parlamento justamente numa hora em que estamos querendo restaurar a sua credibilidade perante a opinião pública", disse.   A retirada do PSDB da comissão foi anunciada pelo líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), e será seguida pelo líder na Câmara, José Aníbal (SP). Um requerimento apresentado à Mesa Diretora retira da comissão os senadores Sérgio Guerra (PE), Flexa Ribeiro (PA), Cícero Lucena (PB) e Lúcia Vânia (GO).   Na última terça-feira, em pronunciamento no plenário do Senado, o presidente nacional do PSDB, senador Sergio Guerra (PE), denunciou a existência de um pequeno grupo que estaria manipulando a distribuição de verbas no Orçamento e defendeu até mesmo a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar as irregularidades. Sem citar nomes, Guerra afirmou que esse grupo aprova "arbitrariedades e se sobrepõe ao restante da comissão", e concluiu "que deveria ser investigado".   A decisão tomada pelo PSDB é inócua para os trabalhos deste ano, uma vez que a votação do relatório final da proposta orçamentária para 2008 foi concluída na última quinta. Na próxima semana, o relatório do deputado José Pimentel (PT-CE) deve ser votado em sessão do Congresso Nacional.   Texto ampliado às 14h52   (Com Cida Fontes, de O Estado de S. Paulo, e Agência Senado)

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