Oposição define quinto processo contra Renan no Senado

PSDB decide entrar com processo na 3ª; senador é acusado de usar o cargo para intimidar adversários

08 de outubro de 2007 | 17h12

A oposição define nesta segunda-feira, 8, o quinto processo contra o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), no Conselho de Ética. O PSDB já decidiu, segundo o presidente nacional do partido, senador Tasso Jereissati (CE). Tasso informou que entrará com a representação nesta terça-feira. Desta vez, Renan é acusado de usar o cargo para intimidar seus adversários. Na lista dos desafetos, estão os senadores Demóstenes Torres (DEM-GO), José Agripino Maia (DEM-RN) e Marconi Perillo (PSDB-GO).  Já os senadores do DEM e lideranças do partido se reúnem ainda nesta segunda para definir se também entram com uma quinta representação.   Veja Também:    Em nota, Renan nega espionagem contra senadores da oposição Cronologia do caso  Entenda os processos contra Renan      A revista Veja publicou que Renan estaria por trás de um esquema de espionagem para vigiar e chantagear os senadores da oposição Demóstenes Torres (DEM) e Marconi Perillo (PSDB). Agripino afirmou que o partido aguarda explicações de Renan.   "Se ele (Renan) não der as explicações até amanhã (terça), o Demóstenes vai exigi-las em Plenário. Se não forem dadas ou, se mesmo dadas, não forem convincentes, o DEM vai entrar com uma representação", afirmou Agripino. Em entrevista à Agência Senado, Demóstenes afirmou ser favorável a que o partido entre com uma nova representação contra Renan. O corregedor do Senado, Romeu Tuma (DEM), também pretende investigar o suposto esquema de espionagem, segundo sua assessoria.   Em nota divulgada nesta segunda, Renan negou ter patrocinado a ação de seu assessor, o ex-senador Francisco Escórcio, que teria procurado o empresário Pedro Abrão para tentar obter provas e formar um dossiê contra Demóstenes e Perillo. Renan afirmou que a acusação é "falsa" e que "práticas inescrupulosas" não fazem parte de seu "caráter". A nota também foi enviada a todos os senadores.   No seu pedido, o PSDB vai exigir o afastamento imediato de Renan do cargo de presidente do Senado. Além disso, o partido pedirá pressa no julgamento dos processos.  A estratégia dos tucanos para fortalecer sua posição é buscar apoio do PT, que ficou com Renan na votação do primeiro processo. "Se o PT não se juntar a este movimento, é o fim da governabilidade. Será sócio proprietário da patifaria e canalhice que se transformou o Senado". Tasso defendeu também a demissão de Francisco Escórcio.   Renan também é acusado de promover uma verdadeira "caça às bruxas" no Senado, o que ele nega. Na última semana, o senador comandou uma operação para destituir da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) seus dois principais opositores. Os senadores Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) e Pedro Simon (PMDB-RS) foram afastados da CCJ na sexta-feira pelo líder peemedebista no Senado, Valdir Raupp (RO), a mando de Renan.   Em reação, um grupo de senadores de vários partidos estuda uma maneira de restituir os dois senadores à CCJ. Nesta segunda-feira, o líder do DEM no Senado, José Agripino Maia(RN) se reuniu com Jarbas Vasconcelos e o petista Aloizio Mercadante (PT-SP) para discutir a questão.   Jarbas relatou aos dois colegas que já recebeu manifestação de solidariedade pessoal de sete dos 19 senadores peemedebistas. Caso mais um senador da bancada do PMDB se manifeste contra o afastamento de Jarbas e Simon, o líder Valdir Raupp, ficará desautorizado.   A idéia é aguardar mais um pouco a espera da consolidação da maioria em favor de Jarbas e Simon dentro do PMDB para rever o afastamento. Tanto Mercadante quanto Agripino manifestaram a disposição de apoiar essa maioria peemedebista na tentativa de recompor o clima de normalidade dentro da CCJ.   (Com Christiane Samarco, do Estadão)    

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