Oposição critica versão preliminar do programa de Dilma

'Velho PT está tomando fôlego e se rearticulando com todos os seus ranços', afirmou líder do PSDB na Câmara

Eugênia Lopes e Vera Rosa, de O Estado de S.Paulo,

05 de fevereiro de 2010 | 20h06

A oposição criticou ontem a versão preliminar do programa de governo da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, pré-candidata do PT à Presidência. Para os adversários do governo, as diretrizes que vão nortear a plataforma de Dilma - antecipadas na edição desta sexta-feira, 5, pelo Estado - são um retrocesso e representam a volta do "velho PT".

 

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No documento intitulado "A grande transformação" - a ser apresentado no 4.º Congresso do PT, de 18 a 20 deste mês, em Brasília - , o partido prega maior presença do Estado na economia e o fortalecimento das estatais e dos bancos públicos para fornecimento de crédito ao setor produtivo.

 

"O velho PT está tomando fôlego, está se rearticulando com todos os seus ranços e propostas", afirmou o líder do PSDB na Câmara, João Almeida (BA). "É um programa jurássico, que compromete o Brasil para o futuro. O que a Dilma propõe no Brasil nem na China existe", provocou o líder do DEM na Câmara, Paulo Bornhausen (SC).

 

Indiferente a esses comentários, o presidente eleito do PT, José Eduardo Dutra, disse que o programa de Dilma vai jogar por terra a "falácia" de que o mercado resolve tudo. "É uma proposta da realidade", resumiu ele. "O Brasil só saiu bem da crise mundial ao fortalecer a Petrobrás, o BNDES e a CEF, mas isso não significa estatização. Não há nada de assustador no que propomos."

 

Dutra garantiu, ainda, que o PT não mudará a política econômica se Dilma for eleita. "Quem vai mudar é o PSDB, que quer acabar com o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC)", devolveu.

 

Na avaliação de líderes de oposição no Senado, o ideário petista tem ideias semelhantes às defendidas pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez. "Estão querendo levar o Brasil à ruína. Do ponto de vista eleitoral, esse programa do PT se parece com o da Venezuela", atacou o líder do PSDB na Câmara, Arthur Virgílio (AM). "Onde a presença do Estado é muito forte, o capital se inibe. O PT está na contramão do mundo desenvolvido", emendou o líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN).

 

Já os líderes dos partidos aliados, favoráveis à candidatura da petista à sucessão de Lula, consideraram boas as propostas do PT. "Num país como o nosso, com enormes diferenças sociais, o Estado tem um papel importante na economia e na redução das desigualdades. Velho com bons olhos essa sinalização", disse o líder do PSB na Câmara, Rodrigo Rollemberg (DF).

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