Evaristo Sá/AFP
Evaristo Sá/AFP

Oposição critica parecer que pede arquivamento de denúncia contra Temer

Deputados apontaram 'entrosamento' entre relator e advogados e 'apelo ao corporativismo' da Câmara

Daiene Cardoso e Igor Gadelha, O Estado de S.Paulo

10 de outubro de 2017 | 22h12

BRASÍLIA - Parlamentares de oposição consideraram o parecer do deputado Bonifácio de Andrada (PSDB-MG) contra a admissibilidade da denúncia contra o presidente Michel Temer previsível e um ataque às instituições investigativas. Para os oposicionistas, o parecer do tucano apostou no espírito corporativista da Câmara e mostrou alinhamento com o discurso dos advogados de defesa de Temer e dos ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria Geral da Presidência).

"Entrosadíssimos o relator e os advogados. O apelo é ao corporativismo, em função do massacre ao Legislativo. Repelem qualquer investigação de possíveis crimes cometidos por partidos e políticos", afirmou o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ). "Apostam no sentido de autoproteção desse Parlamento com tantos investigados, ao afirmar que a atividade político-partidária foi transformada em criminosa."

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O deputado fluminense lamentou os ataques ao Judiciário, ao Ministério Público e à Polícia Federal. "Só faltou dizer que não há corrupção política no Brasil. Para eles (relator e advogados), a casta política é intocável. Joesley (Batista) e tais, esses, sim, são bandidos que envolveram de maneira sórdida impolutos homens públicos e inquestionáveis agremiações partidárias", ironizou Alencar.

O deputado Alessandro Molon (Rede-RJ) também criticou o parecer de Bonifácio. "Basicamente o relatório foi um ataque ao Ministério Público, a Polícia Federal e ao Judiciário como se fossem eles que estivessem sob suspeita, e não Temer, Padilha e Moreira", declarou.

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Fatiamento

Vice-líder da oposição na Câmara, o deputado Paulo Teixeira (PT-SP) avaliou que a denúncia contra Temer tem base probatória, consistência e deve prosseguir. Segundo ele, a acusação contra Moreira e Padilha tem menos base probatória e, por isso, deve ser analisada de forma separada. 

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"Na minha opinião, essa peça de acusação tem problemas. Ela faz uma acusação com maior base probatória em relação a uns e com menos em relação a outros", disse o petista. "A acusação contra Michel Temer tem densidade, tem força probatória, tem consistência. E ela tem que prosseguir", afirmou.

O petista é um dos defensores do fatiamento da votação do parecer, individualizando as acusações.

"Teríamos que, diante dessa denúncia, peneirá-la, porque também não sou daqueles que dizem 'deixa prosseguir', porque o Supremo vai decidir. Ora, não pode passar pelas nossas mãos algo inconsistente. Por isso, queremos separar o joio do trigo", disse.

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